domingo, 23 de julho de 2017

Não Raro o Rosto


A demência invade o pensamento lentamente
Vagarosamente agarra seu lento vagar
Induzindo demente seu próprio esquecimento

O entorpecimento é sempre algo lento -
Dissolve luz e sombra,     data  nome  lugar                              

Não raro o próprio rosto


Progressivamente o mundo resta irreconhecível
Imperceptivelmente incógnito
Irreversivelmente desconhecido

Desune-se o gesto, descoordena-se o corpo –
o movimento fica desconexo
Desordena-se a linguagem e a voz se embarga –
a utopia é um delírio incoerente

Esquece-se o mundo que de nós se esquece

Não raro ocultando o rosto

                                                                                                                 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

CAUSA


Se cedo à escrita a obscura raiz de uma escuridão infértil
É porque um grito profundo raramente se esvaece num ruído inerte

sábado, 4 de março de 2017

RESPIRAR


video



Se preteríssemos a adversidade, já pretérita
E a supérflua trama de uma gesta
Poderíamos, possivelmente,                
respirar



Se desdisséssemos uma intransitável memória
E saltássemos sobre os seixos assombrados
Poderíamos, possivelmente,                      
respirar



Se sobrevoássemos toda a extensão de um amor impedido
E afastássemos, da ilusão caótica, toda a sombra e todo o caos
Poderíamos, possivelmente,                      
respirar