quarta-feira, 24 de outubro de 2018

VERTICAL


Parte acima da altura e, depressa, começa a cair
Parte da utopia primordial em direcção ao centro do abismo
Cai num mundo distópico, queda-te por entre as névoas submersas
Primitivamente, cai longamente e devagar -
O tempo somente suficiente para entrever a imensa vastidão de um sonho
Agita os braços, esbraceja freneticamente, crendo no avistamento
(Ascenderias, tivessem teus braços a graciosidade das aves e a precisão dos drones)
Cai e prossegue caindo
Cai na escrita conceptual, que nunca adestra a intrincada arte do voo vacilante
Cai abruptamente numa queda vertical
A atmosfera é ampla, a terra não
Cai prolongadamente e em contramão
Atravessa os ventos adversos e os versos decaídos
Digo queda descontrolada
É inviável medir com precisão a distância que ainda te separa do chão
O tempo encurta e, curto, torna-se vertiginoso
Abreviando o longo percurso de uma queda inevitável
Cai ate à exaustão
Até que te cansas e abdicas das tentativas idênticas
Cedendo ao resigno adiantadamente anunciado
Cai apenas por cair, caindo numa letargia visceral  
Sem temer que o termo se aproxime
Certamente a queda cessará quando chegares ao solo 
Verticalmente      Ao Subsolo  


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Dos Ecos Excedentes Surde o Silêncio



Subitamente cessam as sílabas
Silentes comprimem-se oprimidas
Sufocam-se silenciosamente
Enredam-se como raízes
Elevam-se ascendentemente
Sibilinamente pertíssimo da voz
     
      
Dos ecos excedentes surde o silêncio
Enunciando o eloquente ruído da sílaba muda

Um sussurro interior-mente sibilado
Um nome im-pronunciado
Um silêncio imperfeitamente des-construído


Sucessivamente as sílabas sublevam-se
Segmentam-se sem proporção
Descendem sobre a hora provável
Pertíssimo do prometimento
Sibilinamente Voz