domingo, 17 de novembro de 2013

A Constante Inconstância de Um Caminhar




Entardece o tempo oculto    traço a traço     
Enquanto a vida   rasurada   se reescreve
Na insensatez de um verso encoberto  


Existimos na inevitabilidade de um poema
No contraponto oposto de um canto
No contratempo de um andamento suprimido
Na constante inconstância de um caminhar


Enquanto  inerte  o tempo acontece   deixando-nos para trás


Tudo é estreito   quando  das escolhas   sobram as sombras
Quando dos caminhos recolhidos   sobeja uma subterrânea via
Que  ao longe   se estende     Obstruída


Existimos na inevitabilidade de um poema abandonado
No interior de um verso volátil
Na frívola ambiguidade de uma esventrada utopia
Na evocação permanente de uma eternidade cansada


Somos do eco a imprevisível propagação 
A disseminação indevida de afastadas palavras
A teorização de uma caligrafia fundada na regra do infortúnio
Multiplicando rumores na razão desordenada


Escutamo-nos na subtileza confessional de um verbo
Existimos no mudo clamor da súplica intemporal


Somos o verso escuso     a promessa vã
O imprevisto discurso de uma desistência
A recusa de um indeclinável destino
A flagrante fraqueza de uma renúncia


Existimos na inércia de um adiado tempo
Na constante inconstância de um caminhar

Na púrpura denúncia de um perpétuo amor
 


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Εντροπία




O tempo é uma soma de instantes momentos
Sincrónicos    simultâneos   coincidentes
Desordenados na sua essência instante


Mede-se o tempo
Fracções    intervalos   interregnos
Outros fragmentos inúmeros


Marca-se o tempo
Numeram-se as horas
Constrange-se a idade


Pretensamente
o tempo impede a simultaneidade
Ordenam-se os eventos
negando a sua inevitável sobreposição


A terra move-se
Ilumina-se em rotação


Dia e noite
Sombra e luz


Em incessante sucedimento
Inscrevendo-se

Tempo
  de um Tempo



Em contínua expansão
O universo caminha para a dissipação
Tende para a desordem crescente


Caminha
de desordem em desordem
até ao caos
Sua derradeira ordenação


Na vertigem de um tempo cansado
Num quebranto alongado sobre um cosmos
que entre escombros se reparte


Nada prepara a desordem

Num só momento o tempo cessará
 Deixará de existir

Não mais haverá medo
Nem mudos torpores
Nada será
Sequer morte

Todo o tempo anterior cessará na cronológica conclusão

  

É crítica a densidade de um universo fechado


Contraindo-se
Contração sobre contração
Advirá
Momento-instante
Colapso colossal


Só então
O tempo retrocederá
Iniciará seu reverso retrocesso
Seu processo de eterno retorno


Ao princípio
                   do Tempo


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