terça-feira, 31 de julho de 2018

Um Rumor Ressurgindo Rosto



 


Por detrás da sombra, subsiste uma luz - perene e inerte
Aguardando que o tempo se distancie das esperas angulares

No interior de tal obscura negrura
Uma flama alumia a fé, um facho fecha a ferida
Afastando as partículas perdidas num passado distante

Dentro da sombra, um traço subleva-se - iluminado
Alinhando sobre a folha a face da afeição
Retraçando o desígnio num percurso paralelo
Alteando sua promissa claridade

Emergindo no poema como símbolo
Um rumor ressurgindo rosto


sábado, 21 de julho de 2018

Ressurreição


a flor fenece murcha
e murcha retoma a terra
um sopro último sopra o pólen
que semeará o solo



                                                         (a meu querido amigo Floriano Mesquita)  

terça-feira, 1 de maio de 2018

ERMOS BRANDOS E LÁPIDOS LÍRIOS BRANCOS



Sobre os ventos incompletos
Sobre os sossegos agrestes
Sobre as metáforas inconcludentes
Obscuridades rubras e rumorosas intermitências

Sobre os sonhos ocultos
Sobre os percursos ocasionais
Sobre as convulsivas dissolvências
Ermos brandos e lápidos lírios brancos

Só vozes vazias sussurrando causal contradição
Só raízes dispersas enraizando tardias essências
 
Minha rara claridade
Minha tão breve lucidez

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O MAIS PROFUNDO ABISMO



Partir longe           perto do mais profundo precipício
passamos uma vida (quase inteira) à procura do Amor

Uma vida (quase inteira)       desconhecendo
o ardil proveniente do pré-conceito original

Vivemos no interior de um poema (prometido)
Deslumbrados em seu esplendor (conceptual)
Ignorando sua evidente desordem 
Sem perceber que todo o verso tem um propósito
E seu (primordial) intento é prender -nos por dentro


Partir longe        pertíssimo da mais longínqua ruína

Lentamente   uma árida realidade irrompe   (sempre)
E   de repente   a luz é insuficiente
Quando  incessante   sucede a vez e a espera
Enquanto o tempo se distende   em vésperas
Enquanto  descrente  o corpo sucumbe ao rumor ausente


Partir longe        antecipando o mais abrupto abismo

Vivemos incansavelmente no interior de um poema (prometido)
E um fogo quase extinto alumia tal frágil utopia

                                                                          uma vida quase inteira

domingo, 4 de fevereiro de 2018

TEMPO


Se vos disser que o tempo se esvai, Subitamente
E que, de Súbito,
Ao tempo, Suavemente vertiginoso,
Se unirá o temor de o perder


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A CLARIDADE QUE (NOS) DECLINOU


Afastemos do peso que (nos) dobra
A densa espessura que (nos) contrai
Apartando do medo a culpa que o torna irrespirável
Encontraremos, no tempo incógnito, a claridade que nos declinou

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

NULA VIDA VOLVERÁ






Um homem nocturno atravessa a noite               (soturna)
Um sopro soturno trespassa tal alma distante
Porquanto não regressará                                         
               
O tempo nunca retrocede     e ao amor jamais se regressa
Uma reminiscência é somente um andamento inerte -    Nula vida volverá


Um homem decaído decai num desencontro

Um amar nocturno à noite sopra             (silente)
Atravessando tal tempo distante
Porquanto nada se fragmentará             

Tempo retrocede nunca  -  Amor regressa jamais
Um vislumbre é somente um momento suspenso -    Nulo vento volverá


Um sopro nocturno atravessando tal noite distante                     
Suspende um homem sem regresso

A eternidade é uma ilusão brevíssima
O amor unicamente um tempo interior