segunda-feira, 21 de agosto de 2017

NULA VIDA VOLVERÁ



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Um homem nocturno atravessa a noite               (soturna)
Um sopro soturno trespassa tal alma distante
Porquanto não regressará                                         
               
O tempo nunca retrocede     e ao amor jamais se regressa
Uma reminiscência é somente um andamento inerte -    Nula vida volverá


Um homem decaído decai num desencontro

Um amar nocturno à noite sopra             (silente)
Atravessando tal tempo distante
Porquanto nada se fragmentará             

Tempo retrocede nunca  -  Amor regressa jamais
Um vislumbre é somente um momento suspenso -    Nulo vento volverá


Um sopro nocturno atravessando tal noite distante                     
Suspende um homem sem regresso

A eternidade é uma ilusão brevíssima
O amor unicamente um tempo interior

domingo, 23 de julho de 2017

Não Raro o Rosto


A demência invade o pensamento lentamente
Vagarosamente agarra seu lento vagar
Induzindo demente seu próprio esquecimento

O entorpecimento é sempre algo lento -
Dissolve luz e sombra,     data  nome  lugar                              

Não raro o próprio rosto


Progressivamente o mundo resta irreconhecível
Imperceptivelmente incógnito
Irreversivelmente desconhecido

Desune-se o gesto, descoordena-se o corpo –
o movimento fica desconexo
Desordena-se a linguagem e a voz se embarga –
a utopia é um delírio incoerente

Esquece-se o mundo que de nós se esquece

Não raro ocultando o rosto

                                                                                                                 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

CAUSA


Se cedo à escrita a obscura raiz de uma escuridão infértil
É porque um grito profundo raramente se esvaece num ruído inerte

sábado, 4 de março de 2017

RESPIRAR


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Se preteríssemos a adversidade, já pretérita
E a supérflua trama de uma gesta
Poderíamos, possivelmente,                
respirar



Se desdisséssemos uma intransitável memória
E saltássemos sobre os seixos assombrados
Poderíamos, possivelmente,                      
respirar



Se sobrevoássemos toda a extensão de um amor impedido
E afastássemos, da ilusão caótica, toda a sombra e todo o caos
Poderíamos, possivelmente,                      
respirar


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Sombra


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A sombra de uma sombra persegue sua sombra
Procura na penumbra sua silhueta semelhante

Sabe a sombra que somente sua sombra demonstrará a sua existência

A sombra sabe, a sombra sente
A sombra sente-se aparente

Sem luz a sombra não Será
E a sombra de uma sombra singular não é

A sombra de uma sombra ilumina sua escuridão
Sendo ambígua vive vulto num corpo contraluz
A sombra é nitidamente uma luminescência inversa

A sombra de uma sombra persegue a sombra
Procura na penumbra a claridade semelhante 

Sabe a sombra que somente uma outra sombra justificará a sua existência

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

DA CERTEZA PLANA


Da certeza plena resta apenas a ignorância absoluta
A firme convicção de que somente a dúvida é ampla e extraordinária

(A incerteza é profundamente vasta, inteiramente enigmática, incertamente explicável)

Percorrendo demoradamente a negrura do tempo, questionando-o incertamente iluminado
Compreendo, talvez, o aparente desentendimento da existência angustiada

Sobre a certeza plana pairam fragmentos dúbios
Convencimentos ambíguos distorcendo o horizonte de um mundo imaginário
Desconstruindo a oblíqua arquitectura da realidade suposta

Da evidência plena sobra apenas a absoluta divergência
A concrecta demonstração de uma indeterminação abstracta

(Aparentemente compreensível, convenientemente inexacta, evidentemente inexplicável)

O entendimento provém da incerteza e da sua sistemática interrogação

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O TEMPO CONTADO EM VÉSPERAS


E se o universo tempo algum contiver
E o passado não se perder no esquecimento
E se o futuro já passou sem sequer suceder
(Porque aguarda a madrugada?)

Num universo sem tempo, o presente será sempre atemporal
Simultaneamente sobrepondo ao presente passado o futuro pressuposto

E se «O Poema de Julian Barbour» exceder sua própria metáfora
E, num outro presente, agora-presentemente-distante, sua demonstração tiver já sucedido

Num tempo perpetuamente descontínuo 
A memória cronológica será continuamente coexistente
Sincronicamente desvendando em reminiscências, suas intemporais pré-existências
Em sincronia decifrando seu paradoxo primordial

O tempo nunca      « É »          Somente ilusão


E se tal « Sucedimento » transcender sua ilusória alegoria  
O tempo incontido negará sua imprópria predestinação

Contradizendo o princípio do eterno retorno
Ordenando a memória de acordo com sua inconveniência
Inibirá o ruído, silenciando todos os definitivos silêncios  

Então,
Caminharei aleatoriamente pela cronologia do tempo não datado
Outrora alterando a pressuposta pré-existência
Abreviando a distância que determina minha espera
Passando a contar o tempo em vésperas