sábado, 4 de março de 2017

RESPIRAR


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Se preteríssemos a adversidade, já pretérita
E a supérflua trama de uma gesta
Poderíamos, possivelmente,                
respirar



Se desdisséssemos uma intransitável memória
E saltássemos sobre os seixos assombrados
Poderíamos, possivelmente,                      
respirar



Se sobrevoássemos toda a extensão de um amor impedido
E afastássemos, da ilusão caótica, toda a sombra e todo o caos
Poderíamos, possivelmente,                      
respirar


2 comentários:

  1. Todo o grande amor não se permite respirar, eis a sua extensão, eis a sua beleza e, sendo superior a todas as intempéries, nada o pode impedir, porque em algum lugar ele já está. O amor é superior a todos os "Ses" que se possam o tentar calar. Perfeito, belo e ao mesmo tempo sufocante, Filipe! O que menos se consegue fazer ao ler o teu poema, é respirar! beijinhos

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  2. Possivelmente.
    Mas daí não teríamos a (sua) poesia.
    Fiquei quase sem respirar, ao evocar as imagens que o poema provoca.
    Lindo, Filipe, como soe ser a sua poesia.

    Beijo!

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