quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Sombra


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A sombra de uma sombra persegue sua sombra
Procura na penumbra sua silhueta semelhante

Sabe a sombra que somente sua sombra demonstrará a sua existência

A sombra sabe, a sombra sente
A sombra sente-se aparente

Sem luz a sombra não Será
E a sombra de uma sombra singular não é

A sombra de uma sombra ilumina sua escuridão
Sendo ambígua vive vulto num corpo contraluz
A sombra é nitidamente uma luminescência inversa

A sombra de uma sombra persegue a sombra
Procura na penumbra a claridade semelhante 

Sabe a sombra que somente uma outra sombra justificará a sua existência

3 comentários:

  1. Olá, meu amigo poeta! Lindo poema! Já não me atrevo a tentar entrar na mente dos poetas como antes (estou enferrujada), mas o seu poema me fez lembra da busca incansável do ser humano pela sua metade. As almas gêmeas se procuram, sentem, sabem e precisam uma da outra para tornar a existência significativa. Desculpa a sua amiga romântica, mas foi assim que li sua poesia.

    beijinhos

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  2. duas sombras para existir em poesia e, sobretudo, em existência.
    um abraço amigo!

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  3. Voltei ao en(canto) de leitura tão única, ao prazer de saborear o verso musical e o significado plural que concedes à palavra. Neste poema, através de uma espécie de jogo do esconde-esconde (ou de espelhos), conferes à sombra uma personalidade que se desdobra em personalidades. É da sua natureza assim ser. Mas tu, poeta, tens existência por ti mesmo. As sombras temem-te. Ou a força da tua palavra.
    BJO, Filipe :)
    (Lerei tudo desde o último poema que visitei)

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