sexta-feira, 25 de março de 2016

Morte



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Pensa no mais vasto espaço que consigas imaginar
Posiciona-te ao centro, precisamente
Nem um horizonte avistarás
Retira da integralidade todo o objecto, um a um  
Suprime o tom violeta, o vermelho e o branco e toda a remanescente cor
Por um momento preserva somente um negro incolor, até que também este se dissipe
Segmenta do som todo o timbre, inibe qualquer ruído, a tua im-própria pulsação
Da percepção elimina a evidência restante
Anula a memória e a posteridade incógnita
Liberta o corpo do seu constrangimento im-próprio            
Encerra o olhar, suspende a respiração
Finalmente rompe o pensamento, inteiramente


3 comentários:

  1. Este processo da morte descrito poeticamente tão
    excelente, segue como uma guia na meditação da
    morte do pensamento, o silêncio na meditação é
    esta vivência, atingir a negação do eu, com a
    morte dos pensamentos, um distanciamento total
    da existencialidade das coisas.
    Com a bela declamação do Poeta, sedimenta o Poema
    no seu espaço criativo, o eco da imaterialidade
    das palavras que se constituem este vazio meditativo!...
    Apreciei muito (uma originalidade no conteúdo, na forma,
    na inspiração...) Filipe!!

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  2. Outro início se revela no passo a passo da Morte.
    Retirar tudo e deixar o espaço para que em algum lugar, em algum verso, o multiverso da poesia exploda outra vez!

    Extraordinário como sempre, Filipe. A declamação dá o tom da severidade e sentimentos do poema.

    Beijo!

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  3. Quão doce e suave a morte em suas palavras.

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