quarta-feira, 29 de julho de 2020
quarta-feira, 27 de maio de 2020
Cedo só à cobardia
Cansado
Cansado e
incapaz
Incapaz de confrontar
os monstros de olhos rosados que à noite se agigantam
noite sobre noite
Afadigando ternamente
causando incapacitante
fadiga
(ah o deleite diletante da nostálgica
melancolia do nosso infortúnio existencial)
agigantando-se
por ora vírus
sem braços
segmentando mundo numa
suspensão secular
Assim Sem Deuses
Incapaz para afrontar
tais róseos olhares da besta
(noite sobre noite)
Cansado
Cansado e desistente
Cedo só à cobardia hora sobre hora na soma sendo vida
segunda-feira, 23 de março de 2020
À Distância de um Abraço
Estão desertas as praias da Normandia
estão desertas e vazias
Agora, na linha da frente erguem-se retiros sobre o asfalto
e aqueles que entre nós deram nome à bravura
Quando um sopro é um dedo preso no gatilho
quando respirar ressoa como o silvo de uma bala
quando febril é a ferida que sufoca a esperança
quando respirar ressoa como o silvo de uma bala
quando febril é a ferida que sufoca a esperança
Nós fechados, trancados, esperando, aguardando, guardados
As mãos apartadas à distância de um abraço
As mãos apartadas à distância de um abraço
O medo propaga-se por contágio
Contagiando o próprio medo
Até que um medo oposto se erga acima dos escombros
Contagiando o próprio medo
Até que um medo oposto se erga acima dos escombros
Na frente confronta-se a morte inútil
aqueles que entre nós deram nome à coragem
com o corpo defendendo corpo outro
assegurando
que a vida subsistirá acima da morte
Ao destemor um tributo
Num poema à distância de um
abraço
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
O Silêncio Oculto dos deuses
A voz silenciada desde
o início do tempo
o gesto estático dos deuses
o gesto estático dos deuses
O núcleo atómico do pranto de Hiroxima
E os corpos caídos nas planícies de napalm
Os gritos sufocados de Auschwitz e o gás retido dentro da cal
O grande silêncio o silencio maior desde o princípio da Voz
o tempo estático de um rosto imóvel
o tempo estático de um rosto imóvel
Ao alto a morada inominada
Na terra a terra assim infértil
e o silêncio oculto dos deuses
O pensamento que se alonga como uma ogiva
um silogismo pertíssimo da implosão
um silogismo pertíssimo da implosão
Se os deuses são imagem, os Homens reproduzem-se
humanos e frágeis, sem competência para aperfeiçoar a criação
domingo, 17 de novembro de 2019
Um Rumor de Runas
Um rumor de runas arruína o fundamento
Lançando à sorte o itinerário pré-designado
Se todos os trilhos nos desviam do dogma
Quem de nós saberá alcançar a perenidade
Um credo ancestral perdido na bruma
Nossos passos perdidos nos adros
Percorrendo um recolhimento irremovível
a Morte sempre insuficientemente distante
O espírito sensivelmente esvaído das crenças originais
E uma convicta certeza numa reza convulsa
Sinistramente, a Arquitectura deste mundo é obscura
E uma convicta certeza numa reza convulsa
Sinistramente, a Arquitectura deste mundo é obscura
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