segunda-feira, 11 de novembro de 2019
segunda-feira, 24 de junho de 2019
Ver
Os olhos cansados
quase vêem a invisibilidade
Ainda acordados
quase tocando
do horizonte afastando
do limite a extremidade
Aclarando
a luz anterior à noite terminávelquarta-feira, 8 de maio de 2019
DIMENSÃO SUSPENSA
Ascendemos ao plano
primordial
Planando sobre o lugar
que excede o corpo
Abraçados levitamos até à alta planura
Abraçados levitamos até à alta planura
Enlaçados acedemos à luz suprema
Escutando o sopro silente
dos deuses
Alcançando a dimensão suspensa
domingo, 24 de março de 2019
IMORAL
Dezasseis mil seiscentos e sete
Corpos submergidos
Imersos num ondular sepulcrário
Caídos no subsolo submerso
Onde se quedam esquecidos
Sepultados no mediterrâneo de um mar tumular
Dezasseis mil seiscentos e sete
Almas flutuantes da própria fé privadas
Deambulando perpetuamente por uma escuridão líquida
Desprovidas de apropriada luz
“Mare nostrum”, fúnebre berço europeu
“Mar branco do meio”, sitiado entre terras de esperança
Acolhe em teus braços, delicados corpos imersos
Dilui em vítreas águas, submersas lágrimas
Alumia nessa fluida contraluz, a devida vigília
Acalenta numa corrente incandescente,
a insurreição necessária
Dezasseis mil seiscentos e sete legítimas expectativas ceifadas
Dezasseis mil seiscentos e sete sonhos cessados ocultos
Dezasseis mil seiscentos e sete
Corporizando a ignomínia humana
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
FUNDAMENTO
Ao olhar
Vi o fundo ao fundo do fundo
Era o Nada extremo
Uma negra vastidão imensa
Era o Nada extremo
Uma negra vastidão imensa
Prolongando-se para além do limite
Ali inalcançável
O fundamento inalterado
Imperceptível
Indiferente
ao Olhar
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