sábado, 29 de dezembro de 2012

ÍNTIMA IDADE







Eu

Verso vagamente transparente

Sem adorno
Sem relevo
Sem pretexto

Eu
No rebordo de um texto

Intermezzo tempo em íntima idade



Eu
Eu apenas

Em introspectiva redução da imobilidade
Abandonando-me
na existência incontingente


Íntegra renúncia como ascese acidental
Contrapondo à evidente artificialidade
A semiótica usurpação do tempo seminal


O aveludado medo de não chegar a ser
o Ser que o verso esquece



Ainda Eu
Eu e o Outro

Simbiótico confronto da intimidade
Simbiose de transcendência impúdica


Divagação circunstancial
Incorporando incorpórea virtude
Impedindo o tédio impuro
Defrontando discernente vontade


Questionando
A suposta proposição do tempo
Interrogando
 O assertivo pudor filosofal
Afastando
A oculta pauta do pavor



Eu
Eu só

O verso vagamente transparente
Na impercetível ironia da ingenuidade

Íntima-Idade

Só fragmentos


                                      .

domingo, 2 de dezembro de 2012

A Asfixiante Paradoxia da Póstuma Morte








Cai 

Calada 

A Noite



Caem sombrosas sombras em sombria secessão



São soturnos vultos de inominado nome

São sussurrantes sons em soturna cadência




                                                          «Nove vezes a face nos assola

                                                           Nove rostos nos assomam em memória

                                                           Nove terços somados como partes

                                                           Nove novenas em verso formando tempestades»






Calada

Cai 

A Voz




(                 Entre nós há um espaço de silêncios                  )





Uma oblíqua distância em muda redundância 

Uma indizível ausência em emudecimento



Um redutivo mutismo reduzido em verso

Como excesso que o excede



Uma silente sujeição em seguimento

Como paradoxal tangente à enunciação




                                                              «Perene pena pendente permanece

                                                               Vago vazio vagando vaga voz 

                                                              Figurado fogo fragmentando a foz»





Cai

Descrente

O Crente



Sacra sucumbência em altar sacrificante 

Leda pena na seda sangrada



                                            «Efémero multiplicador em ímpar equação»




Penitente indulgência ou presença assimétrica

Crença na simetria existente na ausência



                                           «Fátua figuração de um mundo fulgente»



 


Decaído

Cai

O Mote




«Na supérflua asfixia da perplexidade

Na asfixiante paradoxia da póstuma morte»




Cai

Decadente

A Decadência




Cai amorfo o verso         em alvoroço



.