domingo, 21 de outubro de 2012

Do Passado e do Tempo que Não Passou









 «A eternidade é incertamente certa

uma forma de promessa

uma alterância inversa

em controversa alteração»





Diz-me do passado         o tempo que não passou 
                          
A hora que não passa

A hora que por nós passou




Delétra da letra encoberta         a nostálgica vogal

A vaga profecia

A poética fraga

                                     O instante persistentemente insistente





O pretérito predicado prolonga o verso constante

A sílaba aberta silva o sibilo som da certeza incerta



Angulares permanências são geometrais ausências





Do outro lado da metáfora         arrasta-se a memória

Tristemente entristecida            cingida ao entardecimento




Diz-me do tempo            o tempo em nós pousado 

                                     o impassado passo        

                                     o inultrapassado impasse





«A memória é certamente incerta

uma  controversa crença

uma presença perversa

em variação perpétua »





Dá-me o tempo num furtivo poema  

A estrofe fugaz

O verso-alento       
         
                                O inalterado tempo




O axioma é oculto

O idioma é dúbio



Sustido escrito é mudo testemunho

Sustida escritura é ignota revelação




Dá-me a textual nudez de um corpo nu papiro inscrito 



                                               Diz-me do passado         que o tempo não passou     



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