sábado, 26 de fevereiro de 2011

Nosta Algia






I. 

Etérea espera nos espera
Esfera em retorno circular
Enigma erguido em canto
                                        Concêntrico


Árida dor enlouquecida
Nosso espesso espaço.
Como verso transverso
A vereda é ainda o lugar
                                        Temor é fala secular


Rubro é rumo nosso
Rota rutilar.
Redita derrota
Tempo nosso orbicular


II. 

Do tempo suspendo o tempo
Rasgo que nos rasga
Rastro que nos desgasta
Como um sulco
Como um sonho em declínio
Inclinado pelo tempo


Da memória retiro o rito
                                        Infinito

Parda penumbra que nos aparta
Prado pardacento
Sombra alongada
                               num sobrado irregular


No verso reescrevo a voz
À fala acrescento o verbo
Recriado idioma
Axioma singular

Corpo abrindo-se em verso


III. 

Palavra
Transcrito escrito
Desígnio inscrito
                               em lacre quente
Que se queda em queda
                                       incandescente


Sopro que nos compele
Corpo contra corpo
Pele versus pele


Sons soltos  
Tons sibilantes
                                                       Sussurrantes acordes


Seiva escorrendo
                         Águas entre corpos
                         Fogos sobrepostos



IV.

Etérea espera nos espera

Vago verso que vagueia
Entre nós

Palavras presas
Laços que nos enlaçam
Para sempre

Nossa algia
Nostalgia