quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Em Mim Morrem Todos os Versos






S   o   n   h   o 

Inebriado laço
Traço de meu traço

S
u
s
p
e
n
s
a
Corda
Sufoco


P   a  l  a  v  r  a

Sonoro carbono
Velha centelha
Fagulha difusa
Semente incandescente



P   o   e   m   a

Efabulada rábula
Gárgula
Sacristia
Prece circunstancial



Verso a verso,
 Morrem em mim todos os nomes




M  e  t  á  f  o  r  a

Baptismo
Cismo
Oficio
Vício


Magnificente imagem



Corpos
Sedas
Espasmos

Voz
Labareda
Esplendor

Diletantes papoilas
Pupilas dilaceradas
Devotos votos

Letras secas
Gélida geada
Rasgos de dor



L  i  t  u  r  g  i  a

No rebordo da palavra
No resto que resta
O sonho extingue-se em chama


Folha a folha
Desfolho-me

             Em mim morrem todos os versos


                                                                               


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