sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

SOMENTE SILÊNCIO SÓ


(       Do silêncio nem um som     )


Na intacta respiração de um pós-verso
Perto se escuta silente mundo  

Somos silenciosamente só

O sussurro substantivo de uma incógnita
O verso disperso em esparso branco

Do ruído remanescente somos somente
A insonora lembrança de um timbre ausente

Os braços desgarrados como ramos que se enlaçam 
A voz cingida em cingido corpo 
A incerteza d´incorpórea fragilidade

Somos somente silêncio só

Somos só
O intacto som de um silêncio

(     Somente    )

                                                                                                                  .

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O Volúvel Vinco da Hesitação


O espaço, estreito, estreita-se na inversa espessura dos corpos cumulados
Corpos temporários, sitiados na confluência perpendicular dos medos

Passos percorrentes percorrem diagonal espaço

Caóticos corpos convulsivamente expostos na vertical
Indiferenciadamente sobrepostos em   m
                                                        e
                                                        m
                                                        ó
                                                        r
                                                        i
                                                        a

Constrangidamente decaídos num in-movimento
Num temor permanentemente transitório
Na oblíqua incerteza d´absente ausência 

Percorrendo o volúvel vinco da hesitação

As ruas ruem soterrando nossos passos
Enquanto o percurso, inaudível, continuamente incontido - prossegue
Eventual

sábado, 1 de novembro de 2014

OBVIAMENTE BAUDELAIRE



Feéricos fumos formam fulgentes formas 

E os versos, em frenesim, formam mundos artificiais



São trechos tecendo a trama de um tempo aditado

Estrofes expostas expondo uma aliteração asfixiante



São silabas convergindo à sombra de um sofrimento sublimado



Um clamor lírico suspenso na inércia

Um verso verbalizando tal sentir apavorado



Ditos paraísos são terras irreais

Desejos químicos desdizendo a mente

Pérfidos risos rindo perdidamente



Júbilos expelindo do desespero a dor

Metafísicos medos de um temor transcendente


Confrontos opondo-se num opulento desencontro



Fulgentes fumos expandem etéreos espaços

Precisamente absurdos, absurdamente divinos

Idealmente ideais



Ditos paraísos são terras surreais

Delírios de loucura irresistível

Volúpias imateriais de convulsa devassidão



Rapsódia de um tédio luminante

Ofuscando


A clarividência é tão insuportável...




domingo, 28 de setembro de 2014

TEMPO-AMPULHETA


__________________________________________________________________________ 
Cedo cedi ao mundo as madrugadas                      E à noite me entreguei em sombra.
Do mundo queria todas as utopias       Todas se perderam      Cinza na ruína dos dias.
______________________E assim, que fazer de mim?________________________
Apavora-me      O ruído das fontes      O marulhar das horas      O gotejar do tempo
Passando impassível                                                               Sem me olhar
Sem escutar meu grito                                           Sem tocar meu choro.
________________E assim, que fazer de mim?________________
A idade decompõe-se.               Fracções.                Instantes.
A memória                                               multiplica os dias.
Lugar semi-breve                          Marcado em mim.
O espaço-tempo                  converge e colapsa.
Sufoca-me                                 O Espaço.
Excede-me                  O tempo.
Não        sou        mais
que           um
ponto
.
S
              O
                                                         N
                  H
O
.
    .    
.
Como areia escorrem letras,
Estilhaços.  Versos de vidro e de aço.
Instável             O solo que sustem os dias.
Volátil               O chão que suporta os passos.
Este tempo que me torna               Palavra de pedra
Ânfora quebrada                                   Desalinhado linho.
E _____  s ____  t  ____  r ____ e  ____ m ____ e____  ç _____o.
Como se fosse tempo                                                Recém-chegado,
Como se fosse dor             Recém-nascida           Em permanentes águas.
Bago de uva sem rosa                                                            Meu corpo-urze.
Aro de fogo circular                                            Cingindo meu redundante pensar.
_______________________E assim, que fazer de mim?_________________________
____________________________________________________________________________ 


domingo, 17 de agosto de 2014

Um Incêndio Arde em Silêncio



«Um incêndio arde em silêncio
Ardência convulsionada no contorno de corpo nu  
Irrespirável vestígio em crepitante surdina
Cinza incandescente contraindo inconstante esquecimento»

Marcar o verso lineal do pós-poema  
No sibilar de um nome sem anseio incerto
No enfrentamento do rosto que nos confronta

Dissentir a récita incessantemente repetida
O infausto chamamento de um verso-invernia

Percorrer no corpo o corpo do tempo
Segmentando do vento um sopro visceral

Negar o negro soberbo
Iluminando o território irregular do obscurecimento

Firmar num recém-tempo a neo-memória 
Num sofrido temor de furtivo futuro


.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

A Inadiável Ceifa da Raiz



Do solo sustenho a superfície que sustém meus insustentados passos
O gravítico constrangimento que me amarra à terra
A insustentável deserção de uma órbita incircular

Sem prosseguir prossegue o tempo
Seguidamente usurpando sua utópica cronologia

Num flamejar d´etérea perenidade
Inflamam-se as chamas inertes
Ateiam-se os fogos perpétuos
Interdiz-se a circunstancial cinza de uma luz carbonizada

Sem prosseguir o tempo prossegue
Sucessivamente subvertendo seu andamento

Abre-se a sede num verso brevemente ardente
Seivas-correntes escorrendo convoluto corpo
Intimamente indagando seu interrompido movimento

Num sopro o sopro recua
Sem respirar, contrai-se o corpo ofegante

Sem prosseguir prossegue o tempo
Adiantando a inadiável ceifa da raiz

.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O síncope-som de um batimento




Na sua oblíqua supressão    o tempo é evasivo
Sucessivamente encurtando o síncope-som de um batimento

A imortalidade escreve-se num verso
No pulsar das palavras que transgridem o limite de uma existência perene

Inventamos o amor como se escrevêssemos um poema
Recriamos nosso rosto figurando nosso nosso-mundo

Recuperando do tempo inédito a sua inédita posteridade
Afastaremos   da angústia que nos cerca   a inutilidade de um tempo hostil

Iluminando   da sombra adversa   adensa adversidade
Reergueremos da profundeza dos séculos a sua submersa perenidade

E se à superfície surgir terminante indeterminação
E o prometimento de grandeza já não se souber cumprir
Perseguiremos no tempo fugidio a vívida memória de uma luminosidade