Na sua oblíqua supressão o tempo é evasivo
Sucessivamente encurtando o síncope-som de um batimento
A imortalidade escreve-se num verso
No pulsar das palavras que transgridem o limite de uma existência perene
Inventamos o amor como se escrevêssemos um poema
Recriamos nosso rosto figurando nosso nosso-mundo
Recuperando do tempo inédito a sua inédita posteridade
Afastaremos da angústia que nos
cerca a inutilidade de um tempo hostil
Iluminando da sombra adversa adensa adversidade
Reergueremos da profundeza dos séculos a sua submersa perenidade
E se à superfície surgir terminante indeterminação
E o prometimento de grandeza já não se souber cumprir
Perseguiremos no tempo fugidio a vívida memória de uma luminosidade
