O tempo é uma soma de instantes momentos
Sincrónicos
simultâneos coincidentes
Desordenados na sua essência instante
Mede-se o tempo
Fracções intervalos
interregnos
Outros fragmentos inúmeros
Marca-se o tempo
Numeram-se as horas
Constrange-se a idade
Pretensamente
o tempo impede a simultaneidade
Ordenam-se os eventos
negando a sua inevitável sobreposição
A terra move-se
Ilumina-se em rotação
Dia e noite
Sombra e luz
Em incessante sucedimento
Inscrevendo-se
Tempo
de um Tempo
Em contínua expansão
O universo caminha para a dissipação
Tende para a desordem crescente
Caminha
de desordem em desordem
até ao caos
Sua derradeira ordenação
Na vertigem de um tempo cansado
Num quebranto alongado sobre um cosmos
que entre escombros se reparte
Nada prepara a desordem
Num só momento o tempo cessará
Deixará de existir
Não mais haverá medo
Nem mudos torpores
Nada será
Sequer morte
Todo o tempo anterior cessará na cronológica conclusão
É crítica a densidade de um universo fechado
Contraindo-se
Contração sobre contração
Advirá
Momento-instante
Colapso colossal
Só então
O tempo retrocederá
Iniciará seu reverso retrocesso
Seu processo de eterno retorno
Ao princípio
do Tempo
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