Um passo por dentro do tempo
Ligeiramente para trás
Alterando a ordenação das horas
Contendo seculares invernias
Negando séculos sedimentados na espera
Move-se o tempo
e
o mundo inquieta-se
Estranhando o esplendor que na dor desponta
num
clarão de transparência fulminante
«Existem ainda versos por escrever
Palavras talvez por soletrar
Nossos nomes
Nossos próprios nomes»
Um passo para dentro de um mundo
Um tempo anterior
Destituindo interditos silêncios
Desfazendo a desordem das eras
Reconstruindo na recorrência de um caos
primitiva
representação
Move-se o mundo
e
o tempo inquieta-se
Estranhando a luz que da luz irrompe
«Existem gestos interrompidos
Promessas talvez por iniciar
Nosso tempo
Nosso
único tempo»
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