sábado, 20 de julho de 2013

CRONOGRAFIA




Tenho uma cave de caixotes cerrados

Devidamente empilhados        

Ordenados na cronografia de um rosto



Tenho uma cave de faces vendadas 

Vedadas figuras

Solenes na aparência de um mundo



Tenho uma cave de incómodos silêncios

Indevidamente calados

Amordaçados silenciosamente

Ocultados no culto de um nome



Tenho uma cave de proscritos propósitos

Esquecimentos propositados

Inoportunos incêndios

Imolados em fogo-algum



Tenho do tempo a insanidade

E na cave     para nós      o reservado espaço





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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Cumplicidades




«Aproxima-te
Lentamente
Vem
Devagar
Percorre-me»


Da página desprende-se o verso
Palavras dispersando-se sobre o corpo
Íntimo sopro


Desvendando espaços
Desnudando passagens
Desvelando o caminho das águas

Escorrendo sobre as palmas


Do encontro a demora
Do movimento a suspensão


Definindo andamentos
Alongando cadências
Elevando pulsões
Oscilando sobre as copas

Uma mão que percorre
Um incêndio de pétalas



Das fragrâncias derramadas nas orlas
As róseas margens onde a sede se detém

Das pálpebras cerradas a urgência do fogo
A língua que invade vacilante ventre 


Um bramir irrompendo
                                           Longamente


Entrar  
Avultando  

Incorporar          no corpo
 o corpo latejante



Um espasmo e uma contração

Uma pausa semibreve
Uma inflexão


No contorno das esferas
O avesso espaço  
A seminal convulsão 



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sábado, 8 de junho de 2013

Vocabular Lugar





Diz-me da palavra o que a excede
Diz-me deste vocabular lugar
O verbo que o antecede
O termo que irá suceder



Desvenda das fontes os enigmas dos leitos
As subterrâneas correntes que movem o verso

A irregularidade substantiva das respirações
A oblíqua adjetivação das odes

A epístola extraviada na extremidade de uma outra aresta



Diz-me da palavra o que a devassa
A discordância dispersa de uma qualquer proposição

O pronome errado ciciado        
Ciciando a volúpia vertida sobre silente ventre   



Digo da palavra o que dentro é guardado
Metafórica alegoria de um dédalo vocabulário


O verso não é completo quando a palavra   s e p a r a

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sábado, 18 de maio de 2013

CLAUSURAS








                                                                                «O verso constrói clausuras
                                                                                Espaços retidos num tempo
                                                                                Claustros de errático temor
                                                                                Alongando infundadas esperas»



O mundo colapsa sepultando os versos
Fissurando a voz em ruínas


O desespero não se diz

não se escreve

não se canta


Espreita
No vermelhar raiado que avisto neste espelho



O corpo colapsa aluindo nas veias
O sopro em ruínas


A agonia não se escuta

                não se ouve

não se entende


É voz detida no tempo
Como a quimera trespassada que distingo neste nevoeiro


Anoitecem tardes frias
Anoitecem velhos ritos
Anoitecem irrefreáveis fervores


Somos do sonho
A tentativa
A hipotética via
O desentendimento


Dissoluções esféricas na métrica de um verso
                                                                        Infâmias


Possa o tempo afastar as palavras        contaminadas
As destrua               reconstrua            e as devolva intactas
Ao poema que te precedeu




domingo, 31 de março de 2013

Silente Questionamento Silenciando Semântica Questão





  
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Uma ausência
Sussurrada
Um sopro
Sibilado
Silenciosamente
Convergindo
Subtilmente
Enunciando


«Estático é o fogo na inércia ateado
Inerte é o rosto em recluso rosário
Vazio é o verso em vão vazado»



Decaímos na sombra  
                          Sempre escura
                       Sempre densa
                Sempre noite


Decaímos como um manto 
                               Sempre escuro
                       Sempre espesso
                Sempre noite




Um sopro
Ausente
Uma sílaba
Sufocada
Silenciosamente
Convergindo
Em desalento
Questionando


Que medo nos deteve 
Que distância conteve o tempo 
Que desencontro desfez o mundo           


Silente questionamento silenciando semântica questão


Na memória todo o tempo é lento
Lentamente adiantam-se demoradas horas
Reminiscências difusas
Demoras



Decaímos na sombra 
                           Sempre escura
                       Sempre densa
                Sempre noite


Decaímos
                Sempre
      Só



quinta-feira, 7 de março de 2013

Abissais Representações da Renúncia








perto do Precipício
a berma insinua-se como margem
    subtilmente tentando
                                       tentado passo

Suicidários abismos             
                de horas irrelevantes
confrontando 
                              o erro errante

Chagas casuais
Permanecendo    
Tempo

Perpetuidades corrompendo      
Infinitesimais



próximo do Abismo
o corpo vacila 
    subtilmente preparando
                                            vazo espaço

Evocando sob as orlas
imorais rezas
              impúdicas súplicas
                         circunstantes transparências


Abissais representações da renúncia

Imbuindo incêndios
em incessante deflagração

Impondo refúgios
de pronominal nomeação



face à Falésia
a queda anuncia-se
    subtilmente predizendo
                                               Fim




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

OBSESSÃO










Palavra-vento          Arrastando                        Verso
Palavra-sombra       Escurecendo                       Reverso
Palavra-silente        Silenciando             Desmente.
Palavra-oculta         Ocultando               Avulta
      Palavra-traço                       Delimitando            Vulto
Palavra-tempo         Tracejando             Volta.
Palavra-espaço        Espaçando              Sente
Palavra-demente            Aumentando                 Sempre
Palavra-obsessão   Obcecando             Razão
                        Palavra-ausente      Ausentando                       Parte
Palavra-sismo          Situando                  Cisma.
Palavra-abismo       Acentuando                       Estreita
Palavra-etérea        Alterando               Espera.
Palavra-medo                      Murmurando                     Cedo
Palavra-estória        Relembrando                     Memória
Palavra-fogo                         Acendendo             Flama.
Palavra-insana         Revelando               Reza
Palavra-inerte         Vacilando                Incerta
Palavra-aberta         Encerrando             Esta.