sábado, 18 de maio de 2013

CLAUSURAS








                                                                                «O verso constrói clausuras
                                                                                Espaços retidos num tempo
                                                                                Claustros de errático temor
                                                                                Alongando infundadas esperas»



O mundo colapsa sepultando os versos
Fissurando a voz em ruínas


O desespero não se diz

não se escreve

não se canta


Espreita
No vermelhar raiado que avisto neste espelho



O corpo colapsa aluindo nas veias
O sopro em ruínas


A agonia não se escuta

                não se ouve

não se entende


É voz detida no tempo
Como a quimera trespassada que distingo neste nevoeiro


Anoitecem tardes frias
Anoitecem velhos ritos
Anoitecem irrefreáveis fervores


Somos do sonho
A tentativa
A hipotética via
O desentendimento


Dissoluções esféricas na métrica de um verso
                                                                        Infâmias


Possa o tempo afastar as palavras        contaminadas
As destrua               reconstrua            e as devolva intactas
Ao poema que te precedeu




domingo, 31 de março de 2013

Silente Questionamento Silenciando Semântica Questão





  
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Uma ausência
Sussurrada
Um sopro
Sibilado
Silenciosamente
Convergindo
Subtilmente
Enunciando


«Estático é o fogo na inércia ateado
Inerte é o rosto em recluso rosário
Vazio é o verso em vão vazado»



Decaímos na sombra  
                          Sempre escura
                       Sempre densa
                Sempre noite


Decaímos como um manto 
                               Sempre escuro
                       Sempre espesso
                Sempre noite




Um sopro
Ausente
Uma sílaba
Sufocada
Silenciosamente
Convergindo
Em desalento
Questionando


Que medo nos deteve 
Que distância conteve o tempo 
Que desencontro desfez o mundo           


Silente questionamento silenciando semântica questão


Na memória todo o tempo é lento
Lentamente adiantam-se demoradas horas
Reminiscências difusas
Demoras



Decaímos na sombra 
                           Sempre escura
                       Sempre densa
                Sempre noite


Decaímos
                Sempre
      Só



quinta-feira, 7 de março de 2013

Abissais Representações da Renúncia








perto do Precipício
a berma insinua-se como margem
    subtilmente tentando
                                       tentado passo

Suicidários abismos             
                de horas irrelevantes
confrontando 
                              o erro errante

Chagas casuais
Permanecendo    
Tempo

Perpetuidades corrompendo      
Infinitesimais



próximo do Abismo
o corpo vacila 
    subtilmente preparando
                                            vazo espaço

Evocando sob as orlas
imorais rezas
              impúdicas súplicas
                         circunstantes transparências


Abissais representações da renúncia

Imbuindo incêndios
em incessante deflagração

Impondo refúgios
de pronominal nomeação



face à Falésia
a queda anuncia-se
    subtilmente predizendo
                                               Fim




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

OBSESSÃO










Palavra-vento          Arrastando                        Verso
Palavra-sombra       Escurecendo                       Reverso
Palavra-silente        Silenciando             Desmente.
Palavra-oculta         Ocultando               Avulta
      Palavra-traço                       Delimitando            Vulto
Palavra-tempo         Tracejando             Volta.
Palavra-espaço        Espaçando              Sente
Palavra-demente            Aumentando                 Sempre
Palavra-obsessão   Obcecando             Razão
                        Palavra-ausente      Ausentando                       Parte
Palavra-sismo          Situando                  Cisma.
Palavra-abismo       Acentuando                       Estreita
Palavra-etérea        Alterando               Espera.
Palavra-medo                      Murmurando                     Cedo
Palavra-estória        Relembrando                     Memória
Palavra-fogo                         Acendendo             Flama.
Palavra-insana         Revelando               Reza
Palavra-inerte         Vacilando                Incerta
Palavra-aberta         Encerrando             Esta.






domingo, 27 de janeiro de 2013

"SEDE VACANTE"








O tempo move-se entre espaços
Entre-espaços movem-se tempos

Na penumbra são coincidentes                              
os movimentos            



«Se a sombra se abate sobre a palavra
que não se escreva nada»



Tempo-sódio sobre sonho só

                   O delírio          dilui-se               
                   O verso           dissolve-se
                   O lugar            desocupa-se    



O silêncio move-se entre espaços 
Entre-espaços escutam-se silêncios

Na penumbra        
são ecos coincidentes                 



«Se a sombra se abate como palavra
que se escreva vaga»



Verso-Mnemónico ou interrogante melopeia

«Restante passo             Alteando alto                    Resto–espaço»



Se a palavra somente sombra é
nem uma só se ilumine
nem uma só se ateie




«Voraz voz vertida na vertigem do verso
Trémulo temor de tempo-estreito

Se na penumbra a palavra se vagou
Silenciados sopram os ventos»



Sobram sussurros
Sobram confidências


Sobram sibilantes condescendências


                          Se à palavra a palavra regressar      restaurado seja o lugar



.

sábado, 29 de dezembro de 2012

ÍNTIMA IDADE







Eu

Verso vagamente transparente

Sem adorno
Sem relevo
Sem pretexto

Eu
No rebordo de um texto

Intermezzo tempo em íntima idade



Eu
Eu apenas

Em introspectiva redução da imobilidade
Abandonando-me
na existência incontingente


Íntegra renúncia como ascese acidental
Contrapondo à evidente artificialidade
A semiótica usurpação do tempo seminal


O aveludado medo de não chegar a ser
o Ser que o verso esquece



Ainda Eu
Eu e o Outro

Simbiótico confronto da intimidade
Simbiose de transcendência impúdica


Divagação circunstancial
Incorporando incorpórea virtude
Impedindo o tédio impuro
Defrontando discernente vontade


Questionando
A suposta proposição do tempo
Interrogando
 O assertivo pudor filosofal
Afastando
A oculta pauta do pavor



Eu
Eu só

O verso vagamente transparente
Na impercetível ironia da ingenuidade

Íntima-Idade

Só fragmentos


                                      .

domingo, 2 de dezembro de 2012

A Asfixiante Paradoxia da Póstuma Morte








Cai 

Calada 

A Noite



Caem sombrosas sombras em sombria secessão



São soturnos vultos de inominado nome

São sussurrantes sons em soturna cadência




                                                          «Nove vezes a face nos assola

                                                           Nove rostos nos assomam em memória

                                                           Nove terços somados como partes

                                                           Nove novenas em verso formando tempestades»






Calada

Cai 

A Voz




(                 Entre nós há um espaço de silêncios                  )





Uma oblíqua distância em muda redundância 

Uma indizível ausência em emudecimento



Um redutivo mutismo reduzido em verso

Como excesso que o excede



Uma silente sujeição em seguimento

Como paradoxal tangente à enunciação




                                                              «Perene pena pendente permanece

                                                               Vago vazio vagando vaga voz 

                                                              Figurado fogo fragmentando a foz»





Cai

Descrente

O Crente



Sacra sucumbência em altar sacrificante 

Leda pena na seda sangrada



                                            «Efémero multiplicador em ímpar equação»




Penitente indulgência ou presença assimétrica

Crença na simetria existente na ausência



                                           «Fátua figuração de um mundo fulgente»



 


Decaído

Cai

O Mote




«Na supérflua asfixia da perplexidade

Na asfixiante paradoxia da póstuma morte»




Cai

Decadente

A Decadência




Cai amorfo o verso         em alvoroço



.