«A eternidade é incertamente certa
uma forma de promessa
uma alterância inversa
em controversa alteração»
Diz-me do passado o
tempo que não passou
A hora que não passa
A hora que por nós passou
Delétra da letra encoberta a
nostálgica vogal
A vaga profecia
A poética fraga
O instante persistentemente insistente
O pretérito predicado prolonga o verso constante
A sílaba aberta silva o sibilo som da certeza incerta
Angulares permanências são geometrais ausências
Do outro lado da metáfora arrasta-se
a memória
Tristemente entristecida cingida
ao entardecimento
Diz-me do tempo o
tempo em nós pousado
o impassado passo
o inultrapassado impasse
«A memória é certamente incerta
uma controversa
crença
uma presença perversa
em variação perpétua »
Dá-me o tempo num furtivo poema
A estrofe fugaz
O verso-alento
O inalterado tempo
O axioma é oculto
O idioma é dúbio
Sustido escrito é mudo
testemunho
Sustida escritura é ignota revelação
Dá-me a textual nudez de um corpo nu papiro inscrito
Diz-me do passado que
o tempo não passou
.



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