domingo, 29 de abril de 2012

Etéreos Tempos são Traços de Eternidade






O tempo é uma palavra   

Uma coordenada sem dimensão



Como um singular teorema

Em invariante expansão

Em irrestrita relatividade


Imensurável é o tempo      no tempo indeterminado



Como um quântico espaço

Em continuum movimento

Em ilimitada quantidade


Incontável é o tempo         no tempo continuado




Sem tempo            nosso tempo


Sem pausa

Sem duração



Onde o tempo não flui

As horas unicamente são




Etéreos tempos são traços de eternidade


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sexta-feira, 30 de março de 2012

O Traço Convexo do Tempo Arqueado




I.

«O tempo é um abismo
Um sismo repartido entre partes
O primórdio
O ocaso»


II.

Do princípio
Remanesce a memória


A melancolia das pétalas
pousadas          

A fragilidade dos trevos             
 ciciados

O traço convexo do verso          
arqueado


Sibilando envelhecidos ressentimentos
Revisitando enegrecidos momentos

Como evanescente clarão          em escurecida luz
Como irrecusado retrocesso      a desconexo lugar




III.

A poente
A memória remanescente


A perpétua invariância dos dias             
em repouso

A subtil indeterminância da hora
constante

O princípio da incerteza
                                                                             
Sem amanhã    ausente a manhã será


Incontestada é a decretada arbitrariedade
Assim como incontestável é a sua relatividade



IV.

«O tempo é um sismo
Um abismo sem alterância
Um acaso
Uma circunstância»



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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A Noite que à Noite se Sobrepõe






Um dia
              o dia será
                                Ausência


Por fim
o tempo cessará
                                           Infinitamente



Como noite que à noite se sobrepõe
A sombra à sombra se sobreporá

                                               Como uno momento
                                               Como definitiva forma
               


Infecundas são todas as negras primaveras
Assim como estéril é o corpo por fecundar

Inútil é o tempo consagrado à treva
Assim como toda a reza é ineficaz



Longos suspiros são mil murmúrios
Vagos abismos de inacessíveis altares



Na noite
              ausente será
                                       A memória


Sem fim
   a utopia cessará
                                           Definitivamente



Como voz sobre o vácuo vertida
Como verso de um poema vazio


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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Reticente Enigma em Ambígua Reticência








Dois instáveis pontos

E um ponto terceiro



Reticente enigma       em ambígua reticência

Suposta metáfora       em metafórica palavra

Estigma marcado       em a.d.u.l.t.e.r.a.d.a. pele




Assim     inclemente     é soletrado     o verbo

Assim     insolente        é dissolvido    o sonho

Assim     se ergue          demente       o mundo




Enquanto               por dentro

                             Arde

                             Esventrante o fogo


Enquanto              por dentro

                            Corrói

                            Cáustico o ácido




São acesos cânticos      Irrompendo em rumor

São vulcânicas vozes     Expelindo em trova

                                                                          A lava

                                                                          O rancor



Assim  convulso         Estremece o corpo

E    em convulsão      Se lamina o verso 



Como perfurante lâmina         sobre pérfida palavra

Como mágoa amolada           num retorcido fuso


Como parte partida                de enegrecida parte

Como frágil verdade               do sonho sem textura




São vielas estreitas

Atalhos enlouquecidos

Indignos lugares


Grilhetas de gelo

A insanidade trespassa




Esparso              o laço que constrange

Deslaçado           o nó que restringe

Longo                 é o ponto que rasga



«Da reticência descende tua dor»



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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Tempo Das Horas







«Há no tempo         um destinado mundo
Há no mundo          um aguardado tempo»


No verso
A Tua voz            
           
                             Verbo onde me escuto        me acolho        me espero  

                             Onde me digo


                                                                    «Improrrogável é o tempo
                                                            Sem horas
                                                                             E o gesto que me erguerá»



Assim    em mãos tuas       me entrego
Assim     nascerá               O movimento
                                                              que ao preciso lugar me há-de levar



«Infindável espera em devir incerto
Incontinuável tempo nas horas revelado»


No verbo
Minha voz

                              Verso em que te recebo     te clamo     te escrevo

                              Em que te grito

                                                                       «Inadiável é o tempo
                                                              das horas
                                                                               E o verso que nos erguerá»



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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Crisálidas Insónias em Intemporal Inverno





I.


Digo Memória
E cristalizo verso


Insone tempo
Inserto
Em insone noite


Crisálida insónia em intemporal inverno


Como instante época
Como furtivo impasse



II.


Digo Termo
E permaneço disperso


Estreito é o passo quando a sombra se demora
E a navalha passa rente ao verso


Como trevo contíguo                É lúbrico vento
Como tom anunciante              É lúrida voz


«Desvelando o pardo da utopia sobreposta
Cingindo na memória aguardada morada
Aguardando o corpo projectado em pó»



III.


Digo Tempo
Num versejar inverso


«Seriam silenciosos os séculos sem tua voz
Seriam ensurdecidos os silêncios sem vez»


Assim     do sonho     uma reza o resgata 
Indesvendando a sua insubmissa volatilidade


«Caminharei entre os espaços do vento
Serei sopro sobre o solo
Verso erguido acima do silêncio»



IV.


Digo Espaço
Como avesso verso


Erguidos foram todos os pórticos
Desvendados foram todos os adros


Assim inscrito se mostra     O Lugar


É o templo transcrito em papiro                 esperando
É o incontido corpo em contenção            aguardando


Tal mito nu em manto de papel



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sábado, 17 de dezembro de 2011

Sonetos de Impura Lucidez






I.

«Escritos foram todos os (negros) versos»


Na penumbra suspenso
Um suspiro
Inaugura o Mundo


Todas as cinzas morrem
Assim como em cinza morrem todos os mundos

Enquanto uma flâmula se eleva
Como verso outro
Em ressurgimento



Restaurando das harpas              O timbre
Recriando pianos                           em alvas claves
Restituindo aos círios                   O lugar




São verdes lírios em pungente canto
É a voz em translúcido coro
Convertendo nas rezas rudes trevas
  

É o passo sobre límpido fogo
Como força que das águas emerge
É a terra que da terra se eleva
Como irrecusado rumo




II.


«Derramadas se mostram todas as líquidas mágoas»


Em suspensa dor
A trova
Retrocede o Tempo


Todos os fogos se extinguem
Assim como em fogo se inflamam todas as quimeras

Enquanto uma absurda lágrima se ergue
Como ante-verso
Antevendo no verso
O padecimento



Restituindo às cordas                 O laço
   Recriando palcos                         de negras récitas
Recitando às tochas                       O lume




São estrofes de ímpia coragem
São sonetos de impura lucidez

São infames recantos em recantos de memória
É a senda como pólen que venda o passo

Nenhuma treva se remove numa só reza
Assim como nenhuma reza restaura decessos mundos




III.


Escritos foram todos os versos
Derramadas todas as mágoas se mostram

Enquanto o mundo desabrocha
Como verso flor
Colhendo-me
Por fim


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