I.
Digo Memória
E
cristalizo verso
Insone
tempo
Inserto
Em insone
noite
Crisálida insónia em intemporal inverno
Como
instante época
Como
furtivo impasse
II.
Digo Termo
E permaneço
disperso
Estreito
é o passo quando a sombra se demora
E a
navalha passa rente ao verso
Como
trevo contíguo É
lúbrico vento
Como
tom anunciante É
lúrida voz
«Desvelando o pardo da utopia sobreposta
Cingindo na memória aguardada morada
Aguardando o corpo projectado em pó»
III.
Digo Tempo
Num versejar inverso
«Seriam silenciosos os séculos sem tua voz
Seriam ensurdecidos os silêncios sem vez»
Assim do
sonho uma reza o resgata
Indesvendando
a sua insubmissa volatilidade
«Caminharei entre os espaços do vento
Serei sopro sobre o solo
Verso erguido acima do silêncio»
IV.
Digo Espaço
Como
avesso verso
Erguidos
foram todos os pórticos
Desvendados
foram todos os adros
Assim
inscrito se mostra O Lugar
É o templo
transcrito em papiro esperando
É o
incontido corpo em contenção aguardando
Tal mito nu em manto de papel
.



