I.
Adiante estende-se negra A Terra
Um poroso estrado
Um escasso espaço
Acima inclinam-se negros Os Céus
Um obscurecido manto
Um constrangido tempo
Ao longe O Horizonte
Uma moldura sem margens
Uma espelhada tela
Um retrato plano
que ao princípio me devolve
«Era imberbe o rosto Sem angústia
Era rebelde o sonho Sem temor
Eram descobertas Eras Sem idade
Era a desvendada vida Sem prazo
Como arcos em íris por vendar»
II.
Negra é a terra que piso
Infértil é o chão enegrecido
Assim como negros são os céus inclinados
que se abatem agora sobre mim
«São exíguos labirintos Caminhos sem caminho
São percursos escusos Anunciados degredos»
Ao longe O horizonte
A Meia Face
O rosto convulso que em faces se reparte
Uma face suspensa face da face retirada
Uma afrontada fronte fonte de água parada
Como se estática sempre tivesse sido
Como se assim tecida tecido tivesse sido seu destino
Metade sem metade
Incrédulo é o rosto de uma lágrima Só
O reflexo perplexo revolto em revolvido movimento
Como se essa fosse a forma de invocar
A face ausente que ao rosto pertence
III.
Incontados são os contos
Incontidos são os traços
E todos os concisos infinitos
Incontáveis são os tempos
Impronunciáveis são os medos
E todas as definitivas formas
Adiante inclina-se A terra
Acima estendem-se Os céus
Ao longe O horizonte
.




