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I.
Horas sobre horas
desordenadas
Utopias decaídas numa qualquer cadência
Passos quedados num compasso qualquer
O pêndulo marca o tempo que o movimento marca
Todo o silêncio guarda uma palavra
«Negra capa esvoaça
Esvoaça negra a capa»
«Eram ardentes mágoas Fogo no fogo forjado
Eram espessas sombras Em negro sombreado
Era espera em espera Luz em escassa luz»
II.
Tempos sobre tempo
desordenado
Cinco tardias madrugadas
Cinco noites entardecidas
O verso esventra a dor que a voz cala
Toda a palavra guarda um silêncio
«Esvoaça negra capa Esvoaça»
«Dez delirantes pedidos travaram a treva
Dez trevos perdidos tragaram a terra
Dez sopros partidos apartaram o vento
Dez espaços repartidos repartiram o tempo»
III.
Às doze
Doze badaladas se deram
Doze rasgos se fenderam
Rasgando doze rachadas fissuras
Às doze vezes
Doze vozes se ergueram
Soprando doze segredados segredos
Aos doze cantos
Doze cânticos se escutaram
Como coro de sagrada profecia
«Vosso será o tempo que agora nasce
Vossa será a palavra que agora germina
Vossa será a hora que fará do dia dia»
IV.
Do tempo o tempo surgiu
Da hora a hora nasceu
Da palavra emergiu a voz
«São trovas
São contos
São histórias
São memórias de um calendário»
Do quinto
Das doze
Daquele Rubro Outubro
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