I.
Como raiz rasgando árida terra
Como fissura fendendo o corpo-solo
Do ventre descende a recta que me intersecta
E ao rosto ascende o pranto como parto de dor
Enquanto a idade fenece a destempo
Como sinal assinalando a vírgula incerta
Assim me treme a voz
Assim me temo como desígnio
Enquanto o corpo se prenuncia chama
E medo
E cinza em pó
«São quimeras rasgadas no ventre do verso
São esventradas palavras de lodo e de lama
São texturas tecidas em ascética métrica
São inauditos ditos sem continuidade»
II.
Como um rito induzido influído é o tempo só
Infecundo caos onde ardo e me extingo
Enquanto chama a chama se apagam todos os archotes
Assim se prostra o tempo como espaço prostrado
Assim se quebra o corpo como vidro laminado
«São frias utopias
E desusadas rezas
São egrégios sacrários
Em igrejas profanas
São inquietas preces
E gritos gritos gritos»
III.
Persigo incólume a incólume morte
Em desentendido entendimento
Num funéreo verso a enfrento
Em descentrado contraimento
«Assim repulso este avulso tempo»
Enquanto a alma clama
Ávida vida
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