Trago na mão as palavras
Ruídas preces
Rezas em ruínas
Rudes cinzas
Idioma perdido
Oculto culto
Cínzeo credo
Crivado em névoas
Nublada negrura que perdura
Negrume
Escritos feridos
Ritos
Dor
Lume
Lume
Estranho estanho
Alfabeto estranho
Idílico cilício
«Voltarás em madrugadas»
Predita predição
Perdição redita
Digo,
Todas as profecias se cumprem
Reescrevo,
Negro é o silêncio quando a fala se perde
E a linguagem desvanecendo permanece
Solenes vozes
Escutadas em eco
Como quebrados versos
Em queda
Na partida dos tempos
Como súplica
Em suplício redentor
Assim
Deserto
Resto
E assim restam todos os altares
Espaços abandonados
Sânscritos lugares
Onde o mito se inscrevia
Inscreve-se agora a noite
Prescrita
Em torpor
Como sombra em seda trajada
Cedo irão nascer
Ásperas sarças
Rupestres flores
Agrestes ciprestes
Talhados na dor
Como som
Como sino
Como sina
Como destino
Como silvo
Palavras rasgadas
Como rasgos nos céus
Esquivas alquimias
No terminus dos dias
Trago na mão as palavras
«Meus versos são gestos
Traços de teu traço
Éteres fragmentos
Etéreos espaços
... gravados»
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