I.
Etérea espera nos espera
Esfera em retorno circular
Enigma erguido em canto
Concêntrico
Árida dor enlouquecida
Nosso espesso espaço.
Como verso transverso
A vereda é ainda o lugar
Temor é fala secular
Rubro é rumo nosso
Rota rutilar.
Redita derrota
Tempo nosso orbicular
II.
Do tempo suspendo o tempo
Rasgo que nos rasga
Rastro que nos desgasta
Como um sulco
Como um sonho em declínio
Inclinado pelo tempo
Da memória retiro o rito
Infinito
Parda penumbra que nos aparta
Prado pardacento
Sombra alongada
num sobrado irregular
No verso reescrevo a voz
À fala acrescento o verbo
Recriado idioma
Axioma singular
Corpo abrindo-se em verso
III.
Palavra
Transcrito escrito
Desígnio inscrito
em lacre quente
Que se queda em queda
incandescente
Sopro que nos compele
Corpo contra corpo
Pele versus pele
Sons soltos
Tons sibilantes
Sussurrantes acordes
Seiva escorrendo
Águas entre corpos
Fogos sobrepostos
IV.
Etérea espera nos espera
Vago verso que vagueia
Entre nós
Palavras presas
Laços que nos enlaçam
Para sempre
Nossa algia
Nostalgia





