Aguarda o corpo
o corpo que o corpo aguarda
Como um verbo em espera
Como um verso d’ água
Onde antes se inscreveu uma dor incolor
Sem tonalidade
Onde antes se escreveu a cor sem cor
Sem espessura
Inscreve-se agora
novo tempo novo
São vozes sopros de cedro vento entre sebes
São esculturas figuras esculpidas na sede
Como anseio e desígnio
Como lugar do corpo
Como escrita profecia
que te pronuncia
«Serão mantos cobertos de girassóis
Serão mil sóis de lustradas cores
Serão luxuriosos rubores
deitados em rubros lençóis»
Como na pausa se pausa pousado tempo
Assim surgirás
Em imprevisto ressurgimento
Como evocada efusão
Quando por entre águas em fogo
o fogo emergir em chama
(com comentário em anexo)
