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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quimeras Rasgadas no Ventre do Verso




I.

Como raiz rasgando árida terra
Como fissura fendendo o corpo-solo

Do ventre descende a recta       que me intersecta
E ao rosto ascende o pranto      como parto de dor

Enquanto a idade fenece            a destempo
Como sinal assinalando a vírgula        incerta


Assim me treme     a voz
Assim me temo      como desígnio
Enquanto o corpo se prenuncia chama
E medo
E cinza em pó


«São quimeras rasgadas no ventre do verso
São esventradas palavras de lodo e de lama
São texturas tecidas em ascética métrica
São inauditos ditos          sem continuidade»



II.

Como um rito induzido               influído é o tempo só
Infecundo caos onde ardo          e me extingo

Enquanto   chama a chama       se apagam todos os archotes
                                                                                                                              
Assim se prostra o tempo          como espaço prostrado
Assim se quebra o corpo           como vidro laminado


«São frias utopias
E desusadas rezas
São egrégios sacrários
Em igrejas profanas
São inquietas preces
E gritos     gritos       gritos»




III.

Persigo incólume           a incólume morte          
Em desentendido entendimento

Num funéreo verso a enfrento
Em descentrado contraimento

«Assim repulso este avulso tempo»

Enquanto a alma clama
                                               Ávida vida




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