O tempo move-se entre espaços
Entre-espaços movem-se tempos
Entre-espaços movem-se tempos
Na penumbra são coincidentes
os
movimentos
«Se a sombra se abate sobre a palavra
que
não se escreva nada»
Tempo-sódio sobre sonho só
O
delírio dilui-se
O verso dissolve-se
O lugar desocupa-se
O silêncio move-se entre espaços
Entre-espaços escutam-se silêncios
Na penumbra
são
ecos coincidentes
«Se a sombra se abate como palavra
que
se escreva vaga»
Verso-Mnemónico ou interrogante melopeia
«Restante passo Alteando alto Resto–espaço»
Se a palavra somente sombra é
nem
uma só se ilumine
nem
uma só se ateie
«Voraz voz vertida na vertigem do verso
Trémulo temor de tempo-estreito
Se na penumbra a palavra se vagou
Silenciados sopram os ventos»
Sobram sussurros
Sobram
confidências
Sobram sibilantes condescendências
Se à palavra a palavra regressar restaurado
seja o lugar
.
