I.
«Os abismos são erguidos monumentos
monumentais constrangimentos
constrangidos espaços
que espaçam
o tempo circunstancial»
Tempos
antes
do tempo
...tempo houve
«Eram vozes discordantes
Eram presságios errados
Eram profecias errantes»
Era inquieta dor em inquieto tempo
Era um vento obsceno encenado na razão
Como ardente dor era odor e prelúdio
Como imerso fogo era verso implosão
II.
«Os abismos são exíguos círculos
erigidos circuitos
circundantes cursos
movimentos curvos
percursos que retomam
o passo inicial»
Das heras descende a palavra
Nas Eras ascende a voz
«Em desordem reordenado o caos será»
A voz sussurra o tempo como se tempo a voz fosse
Como vento ao vento oposto
Assim inverso irrompe o verbo
Assim o verso se faz sopro submerso
Em ti
III.
Entre tempos
escrevo no tempo
tempo teu
Como sibilada palavra agora escrita
Como segredada voz agora escutada
«Se a eternidade é um poema
Eterno será o tempo perpetuado em ti»
Este é o espaço que te cabe no meu tempo
Como tempo ao tempo oposto
.
