I.
Mundos
Sobre
Mundos Edificados
Versos
Sobre
Versos Recriados
«Horizontes encarnados em desencontrado canto»
Inscrito na raiz do tempo
O verso rasga o compasso que sustém o mundo
Todo o rasgo tem na divergência o traço
Todo o traço tem um renitente desequilíbrio
Todo o equilíbrio tem uma latente imperfeição
Uma nébula penumbra onde o poema escurece
«São sombrias melancolias
Entristecidas melodias
Harmonias tecidas em desafinadas vozes»
Como chamamento que chega
Como chama inebriada
Como inconfessada chaga
Como ofuscada dúvida
Quantos segredos guardam as sombras?
II.
Mundos
Sobre
Mundos Mudos
Versos
Sobre
Versos Silenciados
«Perspectivas suspensas em suspenso canto»
Reescrito no tempo do tempo
O verbo desfaz o verso que refez o mundo
Todo o verbo conjugado tem uma fissura que fissura a palavra
Que a fende em impuras derivações
Os reveses revezam as vezes
As vezes revelam as vozes
E as velas já só velam desfiguradas figuras
«São pálidas sombras
Cálidas gárgulas
Tricéfalas falas
São singulares plurais
Como interditas palavras»
São figuradas trovas
Trovoada com aroma de rosa
É o fortuito madrugar de um mundo em queda
Talvez o verso como prosa
Quantos silêncios guardam as palavras?
III.
«Mil sóis irradiam mil madrugadas
Mil candeias alumiam mil irados vincos
Mil ruínas raiam mil arruinadas veredas»
São destroços sem passagem
São solos suspensos em sais
É a fraga que afasta como espaço fractal
Assim cedem os tempos
Assim se cindem os versos
Enquanto acima das águas
Se sucedem rasos os passos
Mundos
Sobre
Mundos Inundados
Versos
Sobre
Versos Submersos
Assim terminados


