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domingo, 13 de novembro de 2011

Mil Sóis Irradiam Mil Madrugadas






I.


Mundos

                 Sobre

                 Mundos                   Edificados


Versos

                Sobre

                Versos                     Recriados




«Horizontes encarnados        em desencontrado canto»




Inscrito na raiz do tempo

O verso rasga o compasso que sustém o mundo




Todo o rasgo tem na divergência o traço

Todo o traço tem um renitente desequilíbrio

Todo o equilíbrio tem uma latente imperfeição



Uma nébula penumbra onde o poema escurece



«São sombrias melancolias

Entristecidas melodias

Harmonias tecidas              em desafinadas vozes»




Como chamamento que chega  

Como chama inebriada

Como inconfessada chaga

Como ofuscada dúvida



Quantos segredos guardam as sombras?




II.


Mundos

                 Sobre 

                 Mundos                      Mudos


Versos

                Sobre

                Versos                       Silenciados



«Perspectivas suspensas         em suspenso canto»



Reescrito no tempo do tempo

O verbo desfaz o verso que refez o mundo



Todo o verbo conjugado tem uma fissura que fissura a palavra 

Que a fende em impuras derivações



Os reveses revezam as vezes

As vezes revelam as vozes

E as velas já só velam desfiguradas figuras



«São pálidas sombras    

Cálidas gárgulas    

Tricéfalas falas


São singulares plurais

Como interditas palavras»



São figuradas trovas  

Trovoada com aroma de rosa

É o fortuito madrugar de um mundo em queda

Talvez                  o verso como prosa



Quantos silêncios guardam as palavras?




III.


«Mil sóis irradiam mil madrugadas

Mil candeias alumiam mil irados vincos

Mil ruínas raiam mil arruinadas veredas»



São destroços sem passagem

São solos suspensos em sais

É a fraga que afasta                   como espaço fractal



Assim cedem os tempos

Assim se cindem os versos

Enquanto  acima das águas

Se sucedem      rasos        os passos



Mundos

                 Sobre

                 Mundos                         Inundados


Versos

                 Sobre

                 Versos                           Submersos




                                                                                               Assim terminados



sexta-feira, 22 de abril de 2011

E Assim Restam Todos os Altares






Trago na mão as palavras

Ruídas preces
Rezas em ruínas
Rudes cinzas

Idioma perdido
Oculto culto
Cínzeo credo
Crivado em névoas

Nublada negrura que perdura
Negrume
Escritos feridos
Ritos
Dor
Lume

Estranho estanho
Alfabeto estranho
Idílico cilício
  

«Voltarás em madrugadas»

Predita predição
Perdição redita


Digo,
Todas as profecias se cumprem

Reescrevo,
Negro é o silêncio quando a fala se perde
E a linguagem desvanecendo    permanece


Solenes vozes
Escutadas em eco
Como quebrados versos
 Em queda
Na partida dos tempos

Como súplica   
Em suplício redentor
  

Assim
Deserto
Resto
E assim restam todos os altares
Espaços abandonados
Sânscritos lugares


Onde o mito se inscrevia
Inscreve-se agora a noite
Prescrita
Em torpor
Como sombra em seda trajada


Cedo irão nascer
Ásperas sarças
Rupestres flores
Agrestes ciprestes
Talhados na dor

Como som
Como sino
Como sina
Como destino
Como silvo
  
Palavras rasgadas
Como rasgos nos céus
Esquivas alquimias
No terminus dos dias


Trago na mão as palavras

«Meus versos são gestos
Traços de teu traço
Éteres fragmentos
Etéreos espaços
...  gravados»


.




sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

MONOCROMIA








Tempo é espaço,
                              Em desencontro.

Espaço é tempo,
                             Em desacerto.


Lugar
       Onde o sonho se perpetua,
                                              Em sombra.



Negra teia me enleia


Sombreado verso
Onde repouso,
                                             Em silêncio.


Silêncio é voz

Um quase nada
Um rumor
Um amor que me escapa
Uma escarpa
                          Uma
f
 a
  l
   é
    s
     i
      a
    

Um poema na berma
Como corpo s-u-s-p-e-n-s-o,
           Em cordas de vime.


Negra é a cor
Deste deserto deserto,
Em agonia.

Monocromia


Lugar onde o sonho soçobra
                                     E um olhar me retoma
Entre o sonho que sobra



  .