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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Crisálidas Insónias em Intemporal Inverno





I.


Digo Memória
E cristalizo verso


Insone tempo
Inserto
Em insone noite


Crisálida insónia em intemporal inverno


Como instante época
Como furtivo impasse



II.


Digo Termo
E permaneço disperso


Estreito é o passo quando a sombra se demora
E a navalha passa rente ao verso


Como trevo contíguo                É lúbrico vento
Como tom anunciante              É lúrida voz


«Desvelando o pardo da utopia sobreposta
Cingindo na memória aguardada morada
Aguardando o corpo projectado em pó»



III.


Digo Tempo
Num versejar inverso


«Seriam silenciosos os séculos sem tua voz
Seriam ensurdecidos os silêncios sem vez»


Assim     do sonho     uma reza o resgata 
Indesvendando a sua insubmissa volatilidade


«Caminharei entre os espaços do vento
Serei sopro sobre o solo
Verso erguido acima do silêncio»



IV.


Digo Espaço
Como avesso verso


Erguidos foram todos os pórticos
Desvendados foram todos os adros


Assim inscrito se mostra     O Lugar


É o templo transcrito em papiro                 esperando
É o incontido corpo em contenção            aguardando


Tal mito nu em manto de papel



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