Tenho o tempo das Idades
Frias
E o peso das mãos
inseguras
Envolvendo a granítica
textura da memória
Nas raízes brancas que se
alastram
Vislumbra-se um passar de
Outono
Um entrever de recolhido
tempo
Nos compassos súbitos que
se escutam
Circulam ecos inconformes
Confinando ao passado a
voz do esquecimento
«As vidas colidem aleatoriamente
À Terra recolhe-se
colhido corpo»
Olá Filipe,
ResponderEliminarLi várias vezes este teu magistral poema, o movimento da
repetição vindo de uma necessidade interna de "eternizar
esta sensação do contato com o surpreendente;
desfolhando poeticamente o espanto do mistério da vida:
num encanto do inaugural, o nascimento nas linhas da bobina
memória ao esquecimento recolhido em mortalidade...
Bravo, Poeta!!
Grata pela partilha e oportunidade da leitura...
Bjo.
Tenho o tempo como gelo
ResponderEliminarEstalagmites que se alastram
São dias
São relógios em constante movimento
São gritos em tic-tac
Um cinza cobre um céu de memórias
Um cinza cobre um mundo, outrora de verdes planícies
(no acaso somos destino
e no acaso deixamos de o ser)
Um poema lindo como, todos aqueles que tu escreves.
Mas Este, este tocou-me especialmente.
Beijinho
Por vezes quando a agudeza do espírito sente a aridez da tontice de que é composto muito deste nosso mundo, o desalento e a melancolia toma-nos e, essa tomada de consciência, nem sequer permite que nos alienemos. Nesse estado de irmandade, seria desejável a morte para se renascer.
ResponderEliminarTambém pode ocorrer que o poema seja sobre os ciclos da natureza... :)
Em todo o caso, estes versos alimentam-se a si próprios. É arte!
Bjo, amigo :)