segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O Tempo das Idades Frias


Tenho o tempo das Idades Frias
E o peso das mãos inseguras
Envolvendo a granítica textura da memória

Nas raízes brancas que se alastram
Vislumbra-se um passar de Outono
Um entrever de recolhido tempo

Nos compassos súbitos que se escutam
Circulam ecos inconformes
Confinando ao passado a voz do esquecimento

«As vidas colidem aleatoriamente
À Terra recolhe-se colhido corpo»


3 comentários:

  1. Olá Filipe,

    Li várias vezes este teu magistral poema, o movimento da
    repetição vindo de uma necessidade interna de "eternizar
    esta sensação do contato com o surpreendente;
    desfolhando poeticamente o espanto do mistério da vida:
    num encanto do inaugural, o nascimento nas linhas da bobina
    memória ao esquecimento recolhido em mortalidade...

    Bravo, Poeta!!
    Grata pela partilha e oportunidade da leitura...
    Bjo.

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  2. Tenho o tempo como gelo
    Estalagmites que se alastram
    São dias
    São relógios em constante movimento
    São gritos em tic-tac
    Um cinza cobre um céu de memórias
    Um cinza cobre um mundo, outrora de verdes planícies

    (no acaso somos destino
    e no acaso deixamos de o ser)

    Um poema lindo como, todos aqueles que tu escreves.
    Mas Este, este tocou-me especialmente.

    Beijinho

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  3. Por vezes quando a agudeza do espírito sente a aridez da tontice de que é composto muito deste nosso mundo, o desalento e a melancolia toma-nos e, essa tomada de consciência, nem sequer permite que nos alienemos. Nesse estado de irmandade, seria desejável a morte para se renascer.
    Também pode ocorrer que o poema seja sobre os ciclos da natureza... :)
    Em todo o caso, estes versos alimentam-se a si próprios. É arte!
    Bjo, amigo :)

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