segunda-feira, 30 de março de 2015

TARDIAMENTE

                               

Minha rara claridade
Minha breve lucidez
Tarde entardece tempo meu

Entardece e é já tarde
Impossível, talvez, adiar
Entardece e é já tarde 
Tardiamente o tempo apareceu

Sobre os ventos incompletos
Sobre os sossegos agrestes
Sobre as metáforas inconcludentes
Obscuridades rubras e rumorosas intermitências

Sobre os sonhos ocultos
Sobre os percursos ocasionais
Sobre as convulsivas dissolvências
Ermos brandos e lápidos lírios brancos

Só vozes vazias sussurrando causal contradição
Só raízes dispersas enraizando tardias essências

Entardece
Já é tarde 
Tardiamente o tempo me entardeceu 

Minha rara claridade
Minha tão breve lucidez




4 comentários:

  1. Não há, Poeta Grande, brevidade em tua lucidez, pois eis que toscas medidas, não aferem reais grandezas. Teu poema é uma construção esplêndida. Abraços.

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  2. O relógio não pára
    Os ponteiros não retrocedem
    E faz-se tarde
    Escurece…
    Só já se avista, o sol
    A cair pela colina
    Mas num breve feixe de luz
    Flutua a hora
    É só esticar a mão e apanhá-la
    É só segurá-la num segundo
    “Numa breve lucidez”

    O tempo é ar num lugar pequeno
    A tua inquestionável questão.
    Um poema onde a noite parece prevalecer, num
    olhar mais atento, Uma Claridade.

    Gosto sempre
    Beijinho

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  3. Também a vida é breve e se cabe nela, em seu tempo, essa lucidez, nada é tardio. Você brilha nos versos.

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  4. Será sempre num tempo tardio que as vivências dispersas e que as raízes que nos conferem a matriz do ser que somos, assomarão com mais acuidade ao nosso tempo memorial.
    Será sempre tarde se algo se deixou passar ou se esse algo nos fugiu.
    Será também neste sentir tardio que nada se pode adiar.
    Tem cabimento o lamento no verso…
    Mais um brilhante poema que ficou a remoer o meu tempo.
    Bjo, amigo Filipe :)

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