sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O Volúvel Vinco da Hesitação


O espaço, estreito, estreita-se na inversa espessura dos corpos cumulados
Corpos temporários, sitiados na confluência perpendicular dos medos

Passos percorrentes percorrem diagonal espaço

Caóticos corpos convulsivamente expostos na vertical
Indiferenciadamente sobrepostos em   m
                                                        e
                                                        m
                                                        ó
                                                        r
                                                        i
                                                        a

Constrangidamente decaídos num in-movimento
Num temor permanentemente transitório
Na oblíqua incerteza d´absente ausência 

Percorrendo o volúvel vinco da hesitação

As ruas ruem soterrando nossos passos
Enquanto o percurso, inaudível, continuamente incontido - prossegue
Eventual

5 comentários:

  1. complementar em exemplar linguagem a memória transcende e transporta suas palavras ao íntimo estar: hesitação. Grato por suas palavras, Poeta. Abraços. Pedro.

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  2. É difícil dizer o indizível, e conferir forma ou substancia ao abstrato...
    Excelente!!!

    Abraço e Bom Ano!!

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  3. Uma obscura cortina teima em toldar-nos os sentidos, dando azo a toda uma série de artes especulativas, muitas delas bordadas com talento. O transeunte da vida, no entanto, continua a não descortinar os verdadeiros nós da eterna trama.

    Um abraço

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  4. A memória é uma rua estreita
    que amontoa todos os momentos
    Cada rosto
    que com o tempo se desfigura
    Figurando-se em lembrança turva
    como se de um” arquivo “ se tratasse
    Amontoa-se pó
    quase se apagam letras,
    Num texto, ainda legível …
    Assim continua, o tempo

    Ler teus poemas,
    Levam-me, tantas vezes á realidade do tempo.

    Gostei muito, claro.

    Beijinho

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  5. Os espaços são memória e, sempre que os percorremos, física ou mentalmente, inexoravelmente estreitamos o olhar para deles termos a nitidez que desejamos. Talvez par rememorar o caminho...
    Deleito-me nas tuas palavras, sempre!
    Bjo, amigo Filipe :)

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