Na sua oblíqua supressão o tempo é evasivo
Sucessivamente encurtando o síncope-som de um batimento
A imortalidade escreve-se num verso
No pulsar das palavras que transgridem o limite de uma existência perene
Inventamos o amor como se escrevêssemos um poema
Recriamos nosso rosto figurando nosso nosso-mundo
Recuperando do tempo inédito a sua inédita posteridade
Afastaremos da angústia que nos
cerca a inutilidade de um tempo hostil
Iluminando da sombra adversa adensa adversidade
Reergueremos da profundeza dos séculos a sua submersa perenidade
E se à superfície surgir terminante indeterminação
E o prometimento de grandeza já não se souber cumprir
Perseguiremos no tempo fugidio a vívida memória de uma luminosidade
Como no poema anterior: "A ordem das coisas é catastrófica // E incógnita é sua dispersa disposição...", neste, também a intangibilidade personifica a nós em nosso-tempo batimento. Belíssimos. Abraços. Pedro.
ResponderEliminar"A imortalidade escreve-se num verso", particularmente quando jorram de tua pena Mestre, pois tu nos faz transcender. Repito, tu é um dos maiores poetas vivos de Portugal e é um privilégio poder ler-te. Abraços.
ResponderEliminarO tempo é um cronómetro que começa a contar
ResponderEliminarDesde o princípio da nossa existência
Nunca pára, acelera como descida
Somos imortais
Na memória seja de um verso
Ou um gesto
No entanto vivemos no limite
Esquecemos o fim da estrada
(talvez não exista – seja uma renovação)
Amamos com a certeza
Sem medo
Construímos castelos em encantados mundos
Contudo sabemos uma verdade existir
O desconhecido
Mas nada nos detém em procurar a luz
Por entre as densas folhas e o negro
Em emergir de novo da memória luz
Um poema reflexivo onde o tempo, como tantas
vezes é tua voz, não só o tempo também todo um percurso
do começo ao fim
do fim ao recomeço
do medo á luz
Gostei muito, muito
Tua poesia toca, é palavra muda com fala.
Beijinho
Agarrado esse tempo ou não esse que se esvai entre mãos pouco importa mas, esse pulsar...esse brilho...sim que ilumina...o poema...e lhe dá vida! Beijinhos carinhosos :)
ResponderEliminar''Inventamos o amor como se escrevêssemos um poema''
ResponderEliminarVerdade universal.
Num primeiro “tempo”, após relido o poema, atento no uso profuso de vocábulos com sons idênticos, alguns deles antitéticos e na repetição de alguns (nosso rosto…nosso nosso-mundo), que, a meu ver, nos remete para o paradoxal vivencional.
ResponderEliminarContudo, certos tempos (como na música, mais ou menos ritmados), podemos reter como eternos esses momentos, tocando o intangível, sobretudo expressados em “arte”; neste caso, nos versos que escreves…
Profundo, criativo, malabarista, no bom sentido!
A tua poesia deixa-me quase sempre com a sensação que não cheguei a decifrar o “enigma”…
Meu beijo, Filipe :)
O tempo é uma miragem...o nosso tempo é uma pequena particula na imensidão do universo.
ResponderEliminarComo sempre as tuas palavras estão para além desse mesmo tempo.
Quero agradecer o carinho e apoio que me deixaste.
Um beijinho poeta
Sonhadora
Sempre mais além, o espírito para lá do que nos cerceia, do que nos incompleta...
ResponderEliminarAbraço
eu li seu site e gostei muito meus parabéns.
ResponderEliminarwww.eudesjesuss.blogspot.com