sexta-feira, 23 de maio de 2014

O síncope-som de um batimento




Na sua oblíqua supressão    o tempo é evasivo
Sucessivamente encurtando o síncope-som de um batimento

A imortalidade escreve-se num verso
No pulsar das palavras que transgridem o limite de uma existência perene

Inventamos o amor como se escrevêssemos um poema
Recriamos nosso rosto figurando nosso nosso-mundo

Recuperando do tempo inédito a sua inédita posteridade
Afastaremos   da angústia que nos cerca   a inutilidade de um tempo hostil

Iluminando   da sombra adversa   adensa adversidade
Reergueremos da profundeza dos séculos a sua submersa perenidade

E se à superfície surgir terminante indeterminação
E o prometimento de grandeza já não se souber cumprir
Perseguiremos no tempo fugidio a vívida memória de uma luminosidade  


9 comentários:

  1. Como no poema anterior: "A ordem das coisas é catastrófica // E incógnita é sua dispersa disposição...", neste, também a intangibilidade personifica a nós em nosso-tempo batimento. Belíssimos. Abraços. Pedro.

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  2. "A imortalidade escreve-se num verso", particularmente quando jorram de tua pena Mestre, pois tu nos faz transcender. Repito, tu é um dos maiores poetas vivos de Portugal e é um privilégio poder ler-te. Abraços.

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  3. O tempo é um cronómetro que começa a contar
    Desde o princípio da nossa existência
    Nunca pára, acelera como descida

    Somos imortais
    Na memória seja de um verso
    Ou um gesto

    No entanto vivemos no limite
    Esquecemos o fim da estrada
    (talvez não exista – seja uma renovação)
    Amamos com a certeza
    Sem medo
    Construímos castelos em encantados mundos

    Contudo sabemos uma verdade existir
    O desconhecido

    Mas nada nos detém em procurar a luz
    Por entre as densas folhas e o negro
    Em emergir de novo da memória luz

    Um poema reflexivo onde o tempo, como tantas
    vezes é tua voz, não só o tempo também todo um percurso
    do começo ao fim
    do fim ao recomeço
    do medo á luz

    Gostei muito, muito
    Tua poesia toca, é palavra muda com fala.

    Beijinho


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  4. Agarrado esse tempo ou não esse que se esvai entre mãos pouco importa mas, esse pulsar...esse brilho...sim que ilumina...o poema...e lhe dá vida! Beijinhos carinhosos :)

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  5. ''Inventamos o amor como se escrevêssemos um poema''

    Verdade universal.

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  6. Num primeiro “tempo”, após relido o poema, atento no uso profuso de vocábulos com sons idênticos, alguns deles antitéticos e na repetição de alguns (nosso rosto…nosso nosso-mundo), que, a meu ver, nos remete para o paradoxal vivencional.
    Contudo, certos tempos (como na música, mais ou menos ritmados), podemos reter como eternos esses momentos, tocando o intangível, sobretudo expressados em “arte”; neste caso, nos versos que escreves…
    Profundo, criativo, malabarista, no bom sentido!

    A tua poesia deixa-me quase sempre com a sensação que não cheguei a decifrar o “enigma”…

    Meu beijo, Filipe :)

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  7. O tempo é uma miragem...o nosso tempo é uma pequena particula na imensidão do universo.
    Como sempre as tuas palavras estão para além desse mesmo tempo.

    Quero agradecer o carinho e apoio que me deixaste.

    Um beijinho poeta
    Sonhadora

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  8. Sempre mais além, o espírito para lá do que nos cerceia, do que nos incompleta...

    Abraço

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  9. eu li seu site e gostei muito meus parabéns.
    www.eudesjesuss.blogspot.com

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