O tempo é uma soma de instantes momentos
Sincrónicos
simultâneos coincidentes
Desordenados na sua essência instante
Mede-se o tempo
Fracções intervalos
interregnos
Outros fragmentos inúmeros
Marca-se o tempo
Numeram-se as horas
Constrange-se a idade
Pretensamente
o tempo impede a simultaneidade
Ordenam-se os eventos
negando a sua inevitável sobreposição
A terra move-se
Ilumina-se em rotação
Dia e noite
Sombra e luz
Em incessante sucedimento
Inscrevendo-se
Tempo
de um Tempo
Em contínua expansão
O universo caminha para a dissipação
Tende para a desordem crescente
Caminha
de desordem em desordem
até ao caos
Sua derradeira ordenação
Na vertigem de um tempo cansado
Num quebranto alongado sobre um cosmos
que entre escombros se reparte
Nada prepara a desordem
Num só momento o tempo cessará
Deixará de existir
Não mais haverá medo
Nem mudos torpores
Nada será
Sequer morte
Todo o tempo anterior cessará na cronológica conclusão
É crítica a densidade de um universo fechado
Contraindo-se
Contração sobre contração
Advirá
Momento-instante
Colapso colossal
Só então
O tempo retrocederá
Iniciará seu reverso retrocesso
Seu processo de eterno retorno
Ao princípio
do Tempo
-
Parabéns, Poeta, pela inspiração. Abraços, Pedro.
ResponderEliminar"Não mais haverá medo"
ResponderEliminarRe-nasceres da alma do poeta.
Abraços,
Ilumina-nos a rotação de tua pena, Poeta. Abraços, Mestre Maior.
ResponderEliminarFragmento a fragmento elabora-se um fragmento maior. Assim se unem os instantes que perfazem o tempo. Instantes criteriosamente iguais e igualmente criteriosos, que se encontram dissociados do seu contexto quando a sós.
ResponderEliminarMede-se o tempo em centenas de instantes. Medem-se os instantes em centenas de instantes de instantes. Medem-se os instantes de instantes em inúmeras unidades menores - numa série infinita de fragmentos que infinitamente fragmentam o espaço, ainda assim, coeso.
Marcam-se as horas, apenas números, marcam-se as idades, meros instantes. Tudo parece divergir.
Movem-se os astros, em órbitas fechadas. Dia e luz, noite e sombra, dia e luz, noite e sombra. Sempre, em contínuo.
Nem tudo parece divergir.
Expande-se o espaço numa caótica desordem crescente.
A ordem reclama a ordem que o espaço nega e o tempo clama. Mas que é o tempo onde o tempo não existe?
Só na descontinuidade sobreviveria o tempo que se crê contínuo.
(Mas sê-lo-á?)
Uma discorrência física e filosófica sobre o espaço e o tempo. Conceitos intemporais enquanto Tempo houver.
Bjo
Tudo se move
ResponderEliminaraté o vento
São fracções, são espaços
ResponderEliminarQue fazem o tempo, o Mundo
Nasce o tempo,
Os lugares
Os templos que se erguem ao sol
Que enegrece
O negro que culmina as horas
Estrela a estrela
Na efervescência dos dias
(até ao silêncio, ao mais nítido silêncio
Até ao som novamente)
Que o começo é o princípio do fim
Que o começo do fim é nascimento
O Recomeço
Um poema” catástrofe de belo”, filosófico e talvez
algo mais(na alma).
Beijinho
A impermanência do tempo
ResponderEliminarno universo caótico
em crescente
desordem e ordem
ciclos diários
ritualmente inscritos
vida-morte
sombra-luz
tempo dentro do tempo
partículas que renascem
infinitamente
assim,vida...
assim,morte...
Poema espelhado neste tempo que renasce, expande, contrai
sombra - luz- verso- poema...
Poema intenso e soberbo filosoficamente!
Bj.
Olá! mas amei demais a sua poesia, que decorre no tempo, vai além! Gostei muito do blob também, e se a Srta me permitira a seguirei também! abraços
ResponderEliminarEntre binários sombra e luz, neutralizamos com a penumbra e na penumbra o tempo perde-se em ponteiros desordenados, ordenados pela nossa imaginação. O que é o caos para quem não tem visão da realidade? O que é o caos para os poetas que só pensam em viver ou morrer de amor?O meu caos é não ter inspiração para dizer as coisas que me mandam a alma, porque há lá fora um caos sem hora que me atordoa os ponteiros dos meus segundos... Somos todos relógios de corda e quem nos acerta na hora certa? O mundo, o amor ou...? Não sei, não sei... Uma vez soube dum chapeleiro que tinha um relógio que não contava o tempo, apenas história, nunca consegui relógio parecido... beijos, querido amigo!
ResponderEliminarGostei. Muito. :)
ResponderEliminarUm tema sempre dado aos maiores devaneios cósmico filosóficos que queiramos dar. Bem escrito, porém...
ResponderEliminarabraço
"O tempo é só uma metáfora, mudanças significativas e que alteram o curso da nossa vida para sempre, acontecem num átimo de segundo", entretanto,diante da construção do seu poema e do mundo como espaço de vivências, de sensações, sentimentos e acontecimentos, nada alcança a força e a devastação do poema!
ResponderEliminarDo caos à profunda escuridão; do caos à (re)organização; do caos e o princípio do mundo; um mundo que recomeça quando o fim dele explodiu em condições de outros mundos, recriados a partir de uma fagulha do que restou do anterior; dos contrastes e contrários à suspensão do ar, como se respirar quebrasse a cadeia sensível e frágil que nos mantêm ligados de maneira vital ao mundo.
Um mundo que surge quando todas as afirmativas desapareceram a partir de um não; um mundo que ressurge quando todos os nãos foram anulados a partir de um sim. Uma sentença sobrepondo-se à outra, sem pretensa harmonia, vertigem à beira do precipício.
O tempo, o tempo é imutável, obedece às mesmas horas, às próprias condições físicas & metafísicas; dias & noites; às suas rígidas leis e processos, e a nossa passagem por ele é impermanente, ainda que possamos usufruir de um permanente retorno...
A entropia do mundo moderno, o desperdício da vida, energia perdida, cuja denúncia simbólica e literal está contida no poema, não sabemos aonde chegaremos, mas desejo esse moto contínuo em minha vida, o incessante rebuliço, e todas as desordens sensacionais causadas em mim, desde o seu (a)Porta- Sonhos.
Profundamente reflexivo, Filipe, soberbo como sempre, e com a sua assinatura indelével!
Um beijo!
;))
E o tempo que não existe...
ResponderEliminarQue teima em não se deixar existir.
Mesmo que no abraço. Apesar desse abraço, que o mede, o espalma, o consente.
Gostei muito
Parece-me que posso “dissecar” este poema em duas partes.
ResponderEliminarI – Um poema onde, na sua essência” me identifico, visto que:
a) Subscrevo os 3 primeiros tercetos nos quais traduzes em verso a parte tangível/visível do tempo (tempo cronológico, o tempo que nos rege, que comanda o nosso quotidiano).
b) Admiro o pseudo corte com esse tempo através do advérbio “pretensamente” já que, se fosse exatamente como refiro na alínea a), o pensamento estaria casado com o momento; sabemos que assim não é; há tarefas que executamos maquinalmente mas o que nos transcende está para lá do momento e, sobretudo, o ser humano está reduzido, por natureza, à sua condição de ser passante.
II – Contudo, a partir de “Em contínua expansão” profetizas um colapso do Tempo (talvez uma metáfora do planeta Terra), uma espécie de regresso às origens. E tudo será ou poderá ser diferente.
Só a tua arte e conhecimento ousam desafiar este “TEMPO”…
(Hum, parece-me que já “queimei” umas gorduras cerebrais…)
Bjo, amigo Filipe :)