quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Εντροπία




O tempo é uma soma de instantes momentos
Sincrónicos    simultâneos   coincidentes
Desordenados na sua essência instante


Mede-se o tempo
Fracções    intervalos   interregnos
Outros fragmentos inúmeros


Marca-se o tempo
Numeram-se as horas
Constrange-se a idade


Pretensamente
o tempo impede a simultaneidade
Ordenam-se os eventos
negando a sua inevitável sobreposição


A terra move-se
Ilumina-se em rotação


Dia e noite
Sombra e luz


Em incessante sucedimento
Inscrevendo-se

Tempo
  de um Tempo



Em contínua expansão
O universo caminha para a dissipação
Tende para a desordem crescente


Caminha
de desordem em desordem
até ao caos
Sua derradeira ordenação


Na vertigem de um tempo cansado
Num quebranto alongado sobre um cosmos
que entre escombros se reparte


Nada prepara a desordem

Num só momento o tempo cessará
 Deixará de existir

Não mais haverá medo
Nem mudos torpores
Nada será
Sequer morte

Todo o tempo anterior cessará na cronológica conclusão

  

É crítica a densidade de um universo fechado


Contraindo-se
Contração sobre contração
Advirá
Momento-instante
Colapso colossal


Só então
O tempo retrocederá
Iniciará seu reverso retrocesso
Seu processo de eterno retorno


Ao princípio
                   do Tempo


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14 comentários:

  1. Parabéns, Poeta, pela inspiração. Abraços, Pedro.

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  2. "Não mais haverá medo"

    Re-nasceres da alma do poeta.

    Abraços,


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  3. Ilumina-nos a rotação de tua pena, Poeta. Abraços, Mestre Maior.

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  4. Fragmento a fragmento elabora-se um fragmento maior. Assim se unem os instantes que perfazem o tempo. Instantes criteriosamente iguais e igualmente criteriosos, que se encontram dissociados do seu contexto quando a sós.
    Mede-se o tempo em centenas de instantes. Medem-se os instantes em centenas de instantes de instantes. Medem-se os instantes de instantes em inúmeras unidades menores - numa série infinita de fragmentos que infinitamente fragmentam o espaço, ainda assim, coeso.
    Marcam-se as horas, apenas números, marcam-se as idades, meros instantes. Tudo parece divergir.

    Movem-se os astros, em órbitas fechadas. Dia e luz, noite e sombra, dia e luz, noite e sombra. Sempre, em contínuo.
    Nem tudo parece divergir.

    Expande-se o espaço numa caótica desordem crescente.
    A ordem reclama a ordem que o espaço nega e o tempo clama. Mas que é o tempo onde o tempo não existe?


    Só na descontinuidade sobreviveria o tempo que se crê contínuo.
    (Mas sê-lo-á?)


    Uma discorrência física e filosófica sobre o espaço e o tempo. Conceitos intemporais enquanto Tempo houver.

    Bjo

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  5. São fracções, são espaços
    Que fazem o tempo, o Mundo
    Nasce o tempo,
    Os lugares
    Os templos que se erguem ao sol
    Que enegrece
    O negro que culmina as horas
    Estrela a estrela
    Na efervescência dos dias

    (até ao silêncio, ao mais nítido silêncio
    Até ao som novamente)

    Que o começo é o princípio do fim
    Que o começo do fim é nascimento
    O Recomeço

    Um poema” catástrofe de belo”, filosófico e talvez
    algo mais(na alma).

    Beijinho

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  6. A impermanência do tempo

    no universo caótico

    em crescente

    desordem e ordem

    ciclos diários

    ritualmente inscritos

    vida-morte

    sombra-luz

    tempo dentro do tempo

    partículas que renascem

    infinitamente

    assim,vida...

    assim,morte...

    Poema espelhado neste tempo que renasce, expande, contrai

    sombra - luz- verso- poema...

    Poema intenso e soberbo filosoficamente!

    Bj.

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  7. Olá! mas amei demais a sua poesia, que decorre no tempo, vai além! Gostei muito do blob também, e se a Srta me permitira a seguirei também! abraços

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  8. Entre binários sombra e luz, neutralizamos com a penumbra e na penumbra o tempo perde-se em ponteiros desordenados, ordenados pela nossa imaginação. O que é o caos para quem não tem visão da realidade? O que é o caos para os poetas que só pensam em viver ou morrer de amor?O meu caos é não ter inspiração para dizer as coisas que me mandam a alma, porque há lá fora um caos sem hora que me atordoa os ponteiros dos meus segundos... Somos todos relógios de corda e quem nos acerta na hora certa? O mundo, o amor ou...? Não sei, não sei... Uma vez soube dum chapeleiro que tinha um relógio que não contava o tempo, apenas história, nunca consegui relógio parecido... beijos, querido amigo!

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  9. Um tema sempre dado aos maiores devaneios cósmico filosóficos que queiramos dar. Bem escrito, porém...

    abraço

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  10. "O tempo é só uma metáfora, mudanças significativas e que alteram o curso da nossa vida para sempre, acontecem num átimo de segundo", entretanto,diante da construção do seu poema e do mundo como espaço de vivências, de sensações, sentimentos e acontecimentos, nada alcança a força e a devastação do poema!

    Do caos à profunda escuridão; do caos à (re)organização; do caos e o princípio do mundo; um mundo que recomeça quando o fim dele explodiu em condições de outros mundos, recriados a partir de uma fagulha do que restou do anterior; dos contrastes e contrários à suspensão do ar, como se respirar quebrasse a cadeia sensível e frágil que nos mantêm ligados de maneira vital ao mundo.

    Um mundo que surge quando todas as afirmativas desapareceram a partir de um não; um mundo que ressurge quando todos os nãos foram anulados a partir de um sim. Uma sentença sobrepondo-se à outra, sem pretensa harmonia, vertigem à beira do precipício.

    O tempo, o tempo é imutável, obedece às mesmas horas, às próprias condições físicas & metafísicas; dias & noites; às suas rígidas leis e processos, e a nossa passagem por ele é impermanente, ainda que possamos usufruir de um permanente retorno...
    A entropia do mundo moderno, o desperdício da vida, energia perdida, cuja denúncia simbólica e literal está contida no poema, não sabemos aonde chegaremos, mas desejo esse moto contínuo em minha vida, o incessante rebuliço, e todas as desordens sensacionais causadas em mim, desde o seu (a)Porta- Sonhos.

    Profundamente reflexivo, Filipe, soberbo como sempre, e com a sua assinatura indelével!

    Um beijo!

    ;))

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  11. E o tempo que não existe...
    Que teima em não se deixar existir.
    Mesmo que no abraço. Apesar desse abraço, que o mede, o espalma, o consente.

    Gostei muito

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  12. Parece-me que posso “dissecar” este poema em duas partes.
    I – Um poema onde, na sua essência” me identifico, visto que:
    a) Subscrevo os 3 primeiros tercetos nos quais traduzes em verso a parte tangível/visível do tempo (tempo cronológico, o tempo que nos rege, que comanda o nosso quotidiano).
    b) Admiro o pseudo corte com esse tempo através do advérbio “pretensamente” já que, se fosse exatamente como refiro na alínea a), o pensamento estaria casado com o momento; sabemos que assim não é; há tarefas que executamos maquinalmente mas o que nos transcende está para lá do momento e, sobretudo, o ser humano está reduzido, por natureza, à sua condição de ser passante.
    II – Contudo, a partir de “Em contínua expansão” profetizas um colapso do Tempo (talvez uma metáfora do planeta Terra), uma espécie de regresso às origens. E tudo será ou poderá ser diferente.

    Só a tua arte e conhecimento ousam desafiar este “TEMPO”…

    (Hum, parece-me que já “queimei” umas gorduras cerebrais…)

    Bjo, amigo Filipe :)

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