quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Colapsa Convulso Solo Som






Colapsa convulso solo som
Na controvertida espiral do verso essencial
No controverso contorno do tempo que num incesso retorno nos contorna
Inquirindo as incertezas
Perpetuando as perplexidades


Colapsa convulso solo som
Espaço instável onde o esquecimento se dobra 
Ocultando o tempo numa enegrecida memória


«Nada existe
A b s o l u t a m e n t e  nada
Uma inexistente vaga só assim subsistirá»


Colapsa convulso solo som em denso mudo espanto
Todo o vazio é antecedido por espaços inúmeros
Antecedentemente preenchidos por númeras vozes


Colapsa convulso solo som
Sangra viva morte de uma escrita
Esvanece-te nas entrelinhas de um verso


«Cessa o tempo sem cessar em infindos infinitos
Cessa por cessar o tempo em infinitos gritos»


Colapsa convulso solo som
Sangra vida dor que vive num delíquio de infortúnios
Morre só tempo só falecido em textuais inexistências


«Nada existe
Não este ofegante respirar que me desmente
Nem o intervalo onde te quis habitar»



Colapsa convulso solo som
Sangra viva morte escrita 


.

9 comentários:

  1. Ressalta, neste poema, a fonética, conjugada a uma certa repetição (consoantes, jogos de palavras como
    «Cessa o tempo sem cessar em infindos infinitos
    Cessa por cessar o tempo em infinitos gritos»
    adensando o conteúdo de negação que depreendo nele.
    Se “colapsa”, explode, dispersa, fica o vazio, o nada do que antes era algo.
    Um poema dialético, filosófico (atrevo-me a dizer).
    Poeticamente, surpreendente. Contudo, sempre haverá uma qualquer espécie de renovação.

    Bjos, amigo Filipe

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  2. Neste teu poema, sinto-o como um diálogo com o tempo,

    algo até como inquisidor, uma busca de uma lógica

    inexistente, nas paralelas inscritas dos dias que

    seguem paradoxalmente;

    na existência,

    nos passos entre luz e sombra,

    mas uma permanência em versos enegrecidos de

    poesia sangrada em vida-morte...

    No som solo

    de colapsa e convulsiva dor...

    Na tua declamação,da qual eu sou fã...

    A voz cristaliza a intensidade e profundidade deste poema-arte!!

    Bjo.

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  3. O tempo é uma espiral de vozes e vazios a perder de vista, mas que não deixaram de existir por isso...

    Como sempre imenso e de uma beleza poética que me encanta.

    Beijo.

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  4. Insiste o som escrito da voz por dizer nas convulsões do tempo, pura insistência do SER.

    Saudações poéticas,

    Anna Amorim

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  5. Que nas incertas voltas
    Se desintegre este som “Só”
    Renasça um novo Sol
    (aquele que quase entra pela janela)
    Que quase é dia
    Mas que acorda antes do raiar
    Querer ser amanhecer
    (mas,ainda na memória a Noite)
    Que se quer longe
    Que no verso crê, uma morte em renascimento.

    Uma poesia, como fim
    Quase prece.

    Sempre um prazer ler a tua poesia, que nos deixa sempre
    Enredados na história e na curiosidade que desperta.

    Sentido e belo, assim como a declamação
    Onde cada frase vai dando uma nova vida ao poema.

    Beijinho



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  6. O tempo por vezes não tem tempo e envolve-nos numa nuvem de emoções a que não conseguimos dar nome.
    Sempre me faltam as palavras...mas o que o poeta escreve apenas ele sabe o que quer dizer. a poesia é como uma pintura, só o pintor sabe ler os traços.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  7. Incapaz de comentar este poema (tantos jogos de palavras! Tantas metáforas! Sublime melodia!), fica um beijo.
    Stela

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  8. desmaiar de letras em convergência com o absoluto.
    as palavras que são verbo, escapam aos grilhões dourados da indiferença.
    e o tempo continua a aprisonar(-te) a alma?

    Sublime forma de dizeres que a alma também dói.

    Bj.º

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  9. É necessário um grande conhecimento da língua portuguesa (dentro da norma culta), para construir e constituir um texto "narrativo-épico-profético" como esse, Filipe.

    Uma quase assonância, com uma quase aliteração e uma possível anáfora, tudo num só poema! Haja fôlego para segurar a sequência frasal........

    Amo seus recursos literários, os volteios que dás nas inimagináveis estrofes, nos levando a convulsionar com a convulsa emoção que se solta em/de todos nós. Não sei o que me agrada mais: se a sua forma ímpar de escrever; se o desejo desperto na vontade de esmiuçar frase a frase do poema e sangrar os vastos sentidos; se despenco emoção abaixo, como se o precipício me engolisse a razão.

    Conforme eu já lhe disse, a sua escrita têm esse componente da complexidade e que eu gosto muito, esses traços psicológicos, proféticos, míticos, sedutores e românticos - estes dois últimos de forma muito sutil -, quântica, apocalíptica, além do aspecto inaugural em cada poema escrito.

    E quando decides nos encher os sentidos com essa qualidade poética, sofisticação e generosidade, o melhor é fechar os olhos, apagar as luzes, silenciar todo o ambiente (acender um incenso) e escutá-lo, escutar a tua voz na cadência e no peso exato da emoção e da transformação que sentimos e vivemos, cada que vez que aqui estamos!

    Meu beijo, querido!

    ;))

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