sábado, 8 de junho de 2013

Vocabular Lugar





Diz-me da palavra o que a excede
Diz-me deste vocabular lugar
O verbo que o antecede
O termo que irá suceder



Desvenda das fontes os enigmas dos leitos
As subterrâneas correntes que movem o verso

A irregularidade substantiva das respirações
A oblíqua adjetivação das odes

A epístola extraviada na extremidade de uma outra aresta



Diz-me da palavra o que a devassa
A discordância dispersa de uma qualquer proposição

O pronome errado ciciado        
Ciciando a volúpia vertida sobre silente ventre   



Digo da palavra o que dentro é guardado
Metafórica alegoria de um dédalo vocabulário


O verso não é completo quando a palavra   s e p a r a

.

15 comentários:

  1. O verso não é completo quando a palavra s e p a r a.

    um ilusionismo de sentimentos, numa estética apurada.

    Que a palavra sempre ocupe o seu lugar na alma do poeta.

    ResponderEliminar
  2. Não sei o que dizer... Mas sei que é de extrema importância o contacto com a palavra, com o sentimento!

    Um bom domingo!

    ResponderEliminar
  3. Mas como desvendar da Palavra, aquilo que apenas a tua pena mágica consegue encontrar, Mestre? Tu, não me farto de repetir, é o maior poeta vivo que Portugal oferta a todos nós.

    ResponderEliminar
  4. enigmas que ficam por desvendar
    nem sempre a palavra é o que deve ser
    nem sempre a palavra define o sentir

    um bom domingo

    beijo

    :)

    ResponderEliminar
  5. A palavra no verso é o veículo que guarda todos os mistérios,

    além do poeta em seu universo e mais além para o leitor o seu mistério...

    A palavra rege na poesia,as correntes oscilantes dos sentidos,

    entrelinhas vestem alegorias, que ocultam o caminho dos labirintos dos

    mais diversos significados...

    Sim,o verso não é completo quando a palavra separa.

    O verso precisa ser respirado pela emoção que a palavra decodifica.

    Sempre sofisticadamente bela a tua poesia!

    Bjo.

    ResponderEliminar
  6. Um singular sítio
    Uma singular fala
    Que será depois da palavra?
    Como será ?

    O verso em interrogação
    Que espera que a cortina se levante,
    É tão pouco o pronunciado…

    Linhas que separam mundos
    Como verso incompleto …

    Sentimentos imensos , vertidos na mais pura poesia
    Que ultrapassa as palavras

    Tua poesia, é Arte de poucos.

    Adorei, Como sempre.
    Beijinho


    ResponderEliminar
  7. O que a palavra guarda? Podemos exteriorizar tudo aquilo que está no bojo da palavra? Mostrar o interior da palavra, de algum modo eclipsa, ofusca o brilho do mistério -oculto-, ou seria espargir luzes sobre a sombra do que a palavra carrega? Será que a palavra diz ou a palavra projeta o que se gostaria de dizer? Seria o inverso, a palavra unida -eu queria uma palavra que fizesse compasso com as indagações que suscitaste em mim, e com a velocidade da emoção, e a "voltagem plasmática" que a sua poesia me causa-?

    Hoje sua poesia em mim é profunda provocação... E me fizeste lembrar de uns versos de um excepcional poeta brasileiro (pouco difundido, ou talvez pouco entendido), chamado Torquato Neto, que diz , e que poderia ter sido dito por ti:

    "Quando eu escrevo, ou quando eu recito
    uma palavra, um mundo poluído explode
    comigo e logo os estilhaços desse corpo,
    retalhado em lascas de morte e fogo, como
    napalm, espalham imprevisíveis significados
    ao redor de mim".

    (Um "Vocabular Lugar", onde cada um de nós - dentro em nós- atribuímos formas, significados e sentidos)


    Beijo e carinho, Filipe querido, e a noite hoje se tornou plena de emoção, obrigada pela escrita deste poema, lindo, demais!

    ;))

    ResponderEliminar
  8. Uma palavra pode ser um mundo, ou não! A percepção está, quem sabe, no olhar...ou talvez no sentir!
    Magnífico momento!!

    Dia feliz!

    ResponderEliminar
  9. Que as tuas palavras nunca se separem...beijo grande Filipe!

    ResponderEliminar
  10. Boa noite Felipe!

    Linda poesia! Lindo Blog!

    bjs

    ResponderEliminar
  11. Filipe,
    Um prazer ler este teu desvendar de sentires.
    Bj
    Nanda

    ResponderEliminar
  12. caso para dizer...palavras para quê!!
    brisas doces*

    ResponderEliminar
  13. O Verbo uni, o verso dispersa, a palavra...
    depende...
    do tempo
    das circunstâncias
    das pessoas
    dos sentidos.
    Palavras que unem
    palavras que destroem
    palavras ditas
    mal ditas
    nunca ditas
    palavras, palavras, palavras
    mudas, silenciadas, caladas
    ou apenas
    palavras que jamais poderão ser palavras
    porque nasceram para ser
    pensamento...

    ResponderEliminar
  14. Digo, com frequência, que as palavras são encantatórias. Além da prodigiosa semântica que nela pode ser desvendada, de acordo com o falante, as suas vivências, os contextos, temos a sua fonética e a forma como cada som é soprado, a emoção que nela é projetada… Enfim, toda uma arte, a da retórica, na sua forma abrangente, como bem sabes.
    Neste excelente poema, trazes-nos para este universo… A palavra, depois de escrita ou dita, não mais nos pertence e desconhecemos o efeito que poderá vir a ter.
    (Aqui há dias, numa escola, lancei o repto: o que vem primeiro, a palavra ou o pensamento? Foi um momento muito interessante pelas intervenções de um público diversificado…)

    Bjo, meu amigo :)

    ResponderEliminar