Diz-me da palavra o que a excede
Diz-me deste vocabular lugar
O
verbo que o antecede
O
termo que irá suceder
Desvenda das fontes os enigmas dos leitos
As subterrâneas correntes que movem o verso
A irregularidade substantiva das respirações
A oblíqua adjetivação das odes
A epístola extraviada na
extremidade de uma outra aresta
Diz-me da palavra o que a devassa
A discordância dispersa de uma qualquer proposição
O pronome errado ciciado
Ciciando a volúpia vertida sobre silente ventre
Digo da palavra o que dentro é guardado
Metafórica alegoria de um dédalo vocabulário
O verso não é completo quando a
palavra s e p a r a
.

O verso não é completo quando a palavra s e p a r a.
ResponderEliminarum ilusionismo de sentimentos, numa estética apurada.
Que a palavra sempre ocupe o seu lugar na alma do poeta.
Não sei o que dizer... Mas sei que é de extrema importância o contacto com a palavra, com o sentimento!
ResponderEliminarUm bom domingo!
Mas como desvendar da Palavra, aquilo que apenas a tua pena mágica consegue encontrar, Mestre? Tu, não me farto de repetir, é o maior poeta vivo que Portugal oferta a todos nós.
ResponderEliminarenigmas que ficam por desvendar
ResponderEliminarnem sempre a palavra é o que deve ser
nem sempre a palavra define o sentir
um bom domingo
beijo
:)
A palavra no verso é o veículo que guarda todos os mistérios,
ResponderEliminaralém do poeta em seu universo e mais além para o leitor o seu mistério...
A palavra rege na poesia,as correntes oscilantes dos sentidos,
entrelinhas vestem alegorias, que ocultam o caminho dos labirintos dos
mais diversos significados...
Sim,o verso não é completo quando a palavra separa.
O verso precisa ser respirado pela emoção que a palavra decodifica.
Sempre sofisticadamente bela a tua poesia!
Bjo.
Um singular sítio
ResponderEliminarUma singular fala
Que será depois da palavra?
Como será ?
O verso em interrogação
Que espera que a cortina se levante,
É tão pouco o pronunciado…
Linhas que separam mundos
Como verso incompleto …
Sentimentos imensos , vertidos na mais pura poesia
Que ultrapassa as palavras
Tua poesia, é Arte de poucos.
Adorei, Como sempre.
Beijinho
O que a palavra guarda? Podemos exteriorizar tudo aquilo que está no bojo da palavra? Mostrar o interior da palavra, de algum modo eclipsa, ofusca o brilho do mistério -oculto-, ou seria espargir luzes sobre a sombra do que a palavra carrega? Será que a palavra diz ou a palavra projeta o que se gostaria de dizer? Seria o inverso, a palavra unida -eu queria uma palavra que fizesse compasso com as indagações que suscitaste em mim, e com a velocidade da emoção, e a "voltagem plasmática" que a sua poesia me causa-?
ResponderEliminarHoje sua poesia em mim é profunda provocação... E me fizeste lembrar de uns versos de um excepcional poeta brasileiro (pouco difundido, ou talvez pouco entendido), chamado Torquato Neto, que diz , e que poderia ter sido dito por ti:
"Quando eu escrevo, ou quando eu recito
uma palavra, um mundo poluído explode
comigo e logo os estilhaços desse corpo,
retalhado em lascas de morte e fogo, como
napalm, espalham imprevisíveis significados
ao redor de mim".
(Um "Vocabular Lugar", onde cada um de nós - dentro em nós- atribuímos formas, significados e sentidos)
Beijo e carinho, Filipe querido, e a noite hoje se tornou plena de emoção, obrigada pela escrita deste poema, lindo, demais!
;))
Uma palavra pode ser um mundo, ou não! A percepção está, quem sabe, no olhar...ou talvez no sentir!
ResponderEliminarMagnífico momento!!
Dia feliz!
Que as tuas palavras nunca se separem...beijo grande Filipe!
ResponderEliminarBoa noite Felipe!
ResponderEliminarLinda poesia! Lindo Blog!
bjs
Filipe,
ResponderEliminarUm prazer ler este teu desvendar de sentires.
Bj
Nanda
caso para dizer...palavras para quê!!
ResponderEliminarbrisas doces*
O Verbo uni, o verso dispersa, a palavra...
ResponderEliminardepende...
do tempo
das circunstâncias
das pessoas
dos sentidos.
Palavras que unem
palavras que destroem
palavras ditas
mal ditas
nunca ditas
palavras, palavras, palavras
mudas, silenciadas, caladas
ou apenas
palavras que jamais poderão ser palavras
porque nasceram para ser
pensamento...
1ª Linha: * une
ResponderEliminarDigo, com frequência, que as palavras são encantatórias. Além da prodigiosa semântica que nela pode ser desvendada, de acordo com o falante, as suas vivências, os contextos, temos a sua fonética e a forma como cada som é soprado, a emoção que nela é projetada… Enfim, toda uma arte, a da retórica, na sua forma abrangente, como bem sabes.
ResponderEliminarNeste excelente poema, trazes-nos para este universo… A palavra, depois de escrita ou dita, não mais nos pertence e desconhecemos o efeito que poderá vir a ter.
(Aqui há dias, numa escola, lancei o repto: o que vem primeiro, a palavra ou o pensamento? Foi um momento muito interessante pelas intervenções de um público diversificado…)
Bjo, meu amigo :)