«Aproxima-te
Lentamente
Vem
Devagar
Percorre-me»
Da página desprende-se o verso
Palavras dispersando-se sobre o corpo
Íntimo sopro
Desvendando espaços
Desnudando passagens
Desvelando o caminho das águas
Escorrendo sobre as palmas
Do encontro a demora
Do movimento a suspensão
Definindo andamentos
Alongando cadências
Elevando pulsões
Oscilando sobre as copas
Uma mão que percorre
Um incêndio de pétalas
Das fragrâncias derramadas nas orlas
As róseas margens onde a sede se detém
Das pálpebras cerradas a urgência do fogo
A língua que invade vacilante
ventre
Um bramir irrompendo
Longamente
Entrar
Avultando
Incorporar no corpo
o
corpo latejante
Um espasmo e uma contração
Uma pausa semibreve
Uma inflexão
No contorno das esferas
O avesso espaço
A seminal convulsão
.

Filipe, não faço a leitura dos seus poemas - como bem sabes - uma única vez, tenho todo um ritual, porque é assim que a poesia me lê, é assim que a sua poesia me lê e me devasta.
ResponderEliminarDetive-me um certo tempo no textículo entre aspas, e vou dialogando com ele e comigo, e nos digo: isso é mais do que um convite, é uma decisão que não compreende nada que não seja a realização do desejo, desejo esse manifesto em ambos, e que não pode mais calar, uma explosão dos sentidos, que esparge em qualquer lugar (e que talvez o poeta utiliza para desmembrar os tantos sentimentos que derrama no papel, e que está diluído na extensão do ser)!
E vou criando expectativas e especulações a nível de elucubrações, porque na verdade o texto é todo provocação, uma poesia táctil, vai(s),criando em nós imagens que desejamos tocar, ver, saborear, experimentar também - cada qual em seu mundo -, saímos da posição de espectadores, para cúmplices, aí então, formamos um complexo de entendedores, entre dois seres que se fundem, e que explodem nascimentos e mortes: renascimentos!
Num segundo momento, nos envolvemos na cadência do poema, na velocidade alternada dos dísticos e dos tercetos, pausando nas linhas, envolvidos nas próprias emoções; seja pela ritmidade, seja pela sonoridade da leitura; seja pela construção visual dessa leitura, além do encadeamento emocional que a sua poética nos proporciona.
Usas das mais espetaculares metáforas, o que dizer de:
"Uma mão que percorre
Um incêndio de pétalas"
Fabulosa imagem criada aqui, uma alegoria em que a nossa imaginação pode sensualizá-la, e de uma magia poética desmedida.
Mais um dos seus poemas sinestésicos, e que me remeteu ao Mário de Sá Carneiro, numa frase que li em algum lugar no Porto: "Gritam-me sons de cor e de perfumes". Assim levo na minh´alma o seu poema: sons, cores, sabores, perfumes, cheiros, desejos...
P.S.
Fui ao sítio da Maria João Crespo, li a descrição feita sob o quadro que ilustra o seu poema, e me deparei com trabalhos fabulosos, cheio de cores & luminosidades. A escolha dessa tela, em especial, deixou-o como uma espécie de espelho dele mesmo, não sei se a moça que está alheia ao derredor sabe do poema; ou se o poema enfatizou o desejo que flameja todo o seu interior. Linda composição. Saio com a alma regozijada!
Emocionante é, o corpo a corpo
ResponderEliminarEntre a palavra e o verso…
Ou não fosse a emoção, a chave do poema!
Um abraço!
A cumplicidade das palavras
ResponderEliminarEm verso
O verso em chama
Que chama
Nas chamas do corpo
Um fogo ateado contornando as visões
As sensações
Sempre um prazer ler-te.
Um poema intrigante e imagético
Que gostei muito!!
Beijinho :)
A cumplicidade da palavra em verso
ResponderEliminarA cumplicidade do desejo entre corpos
A cumplicidade do tempo em sonho
A cumplicidade entre alma e corpo em espaço íntimo-sopro...
Um poema infinito na beleza da entrega,numa sensualidade invulgar,
e assim seria,pois o teu padrão de arte tem uma expressão única na excelência.
A musicalidade encantadora ,que destaco:
"Aproxima-te
Lentamente
Vem
Devagar
Percorre-me"
Belíssimo,amigo!!
Bjo.
... e já é tanto ...
ResponderEliminarnestes vagarosos instantes
O encontro consumido, o desejo consolado, a paixão desvendada. Belíssimo poema amigo! Parabéns!
ResponderEliminarbeijinhos
doce docemente...tanto meu tanto :)
ResponderEliminarGostei mto.
brisas doces***
O Amor é complexo, mas é lindo,
ResponderEliminarmuito lindo! Quando ele .
Acredite no Tempo, na Amizade,
na Sabedoria, e principalmente no Amor.
A verdadeira amizade supõe um pacto de fidelidade,
uma capacidade de dar sem esperar resposta.
Em nome desse amor , que estou aqui hoje.
Um dia especial..especial de verdade.
O aniversário da minha pricesa(Lara)
por isso venho convidar para uma visita no meu blog.
Uma semana abençoada e na paz.
Beijos no coração ,Evanir
Um sentir geométrico.
ResponderEliminarMuito bom.
Hoje vim te convidar a visitar o FOLHAS DE OUTONO através do Poema LENTES DO MEU OLHAR!
ResponderEliminarQue pode ser considerado uma arte,mas que na realidade revela o movimento que tem o teu olhar.
Peço desculpas por não poder deixar comentário,mas te espero lá para falar de vida e de lente que faz reinar a beleza da luz ...
bjs e até minha volta recuperada !
Um poema fogo
ResponderEliminarUm verso destituído
do seu lugar côncavo
mesclando o poema
ainda em construção
mas que por sorte
tem no autor
ainda a paixão
a sobrepor-se à razão
e então
a transformação
a revitalização
a absorção
a doação
a
canção
como se todo o corpo
do poema
se deixasse simplesmente ficar
a absorver da alma
o que o caracteriza poema
em todos os espaços
geométricos
Beijinhos Poeta amigo
Querido Poeta
ResponderEliminarHá poemas que que nos deixam sem palavras para comentar...apenas podemos sentir o momento...e há momentos que são eternizados nas palavras e nos sentires do poeta.
Como sempre é um prazer voltar aqui.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Um poema para ser vestido por quem lê.Como sempre excelente, Filipe.
ResponderEliminarBeijinho.
"Um incêndio de pétalas"
ResponderEliminarUm tatear de palavras...
Beijos, poeta
Existem poemas que nos abarcam todas as palavras, provocam emoções e nos enchem a vida de convergentes olhares, novos pulsares, perfumes, odores, sabores e cores...
ResponderEliminar...assim são os teus.
Mas este, ilumina recantos perdidos de almas nuas em corpos procurados em qualquer rua.
Soberbo, Magnífico, (E)Terno. Cúmplice.
Que assim seja, amigo meu , Príncipe dos Poetas.
bjs
Um menu completo: as palavras que afagam, que se entranham, que correm tumultuosas, que agitam as mãos…Personificando-se, gestualizam o corpo ávido do seu afeto, do seu alimento. De forma subtil, leio um poema extremamente sensitivo (leia-se sensual visto não poder ignorar a estrofe inicial entre aspas).
ResponderEliminarJá sabes que a tua poesia é impar no universo que leio…
(Esqueço-me sempre de referir o apurado sentido estético que colocas a ilustrar/complementar o/s teu/s poema/s…)
Bjo, Filipe
Mesmo com o uso de metáforas, entendi e amei.
ResponderEliminarAbraço Filipe