domingo, 31 de março de 2013

Silente Questionamento Silenciando Semântica Questão



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Uma ausência
Sussurrada
Um sopro
Sibilado
Silenciosamente
Convergindo
Subtilmente
Enunciando


«Estático é o fogo na inércia ateado
Inerte é o rosto em recluso rosário
Vazio é o verso em vão vazado»



Decaímos na sombra  
                          Sempre escura
                       Sempre densa
                Sempre noite


Decaímos como um manto 
                               Sempre escuro
                       Sempre espesso
                Sempre noite




Um sopro
Ausente
Uma sílaba
Sufocada
Silenciosamente
Convergindo
Em desalento
Questionando


Que medo nos deteve 
Que distância conteve o tempo 
Que desencontro desfez o mundo           


Silente questionamento silenciando semântica questão


Na memória todo o tempo é lento
Lentamente adiantam-se demoradas horas
Reminiscências difusas
Demoras



Decaímos na sombra 
                           Sempre escura
                       Sempre densa
                Sempre noite


Decaímos
                Sempre
      Só



18 comentários:

  1. Sempre

    Somente... sempre

    Muito lindo!!
    Bjo.

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  2. "Que desencontro desfez o Mundo", o desencontro, amigo, da tua pena suspensa, pois basta que teu verso aflore para que junto o Mundo renasça...

    Sem dúvidas, caro Filipi, tu és um dos maiores poetas vivos da Pátria-mãe e, creia, é um imenso privilégio ter acesso à tua grande Arte.

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  3. fez-me pensar "gostaria de ter sido eu a escrever isto"
    de facto, como se sempre, um texto de grande profundidade!


    - inspirador!


    um abraço de estima, com estima!

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  4. profundo como o mar
    o fogo ateado mesmo pela inércia não sei se é estático
    mas a queda tantas vezes por medo
    é
    v
    e
    r
    t
    i
    g
    i
    n
    o
    s
    a

    e sombria.

    aguardo a alegoria da ascensão.
    um beijo profético de dias claros e suaves.

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  5. Decaímos sempre só
    na demora das horas
    onde os ponteiros cravados
    no meu peito
    dançam num tic-tac,
    ora sombrio, ora dionísico
    dois relógios descompassados
    -o meu e do tempo-
    quando corro, o tempo se arrasta
    quando estou de rastos o tempo age.
    Vejo a sombra do atemporal
    me atormentando a alma
    com sua voz de vento:
    A felicidade me pede tempo
    e o tempo me cobra felicidade.
    Dois relógios me assombrando
    com seus ponteiros girando
    em sentidos contrários
    e tudo que sei e sinto
    é que por mais que o tempo passe
    não há fuga nem mais lamentação
    porque decaímos sempre só.


    Deixo um poema nascido da tua fonte. Este tua obra de arte está sensacional. Parabéns, amigo. Até em breve! bjs


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  6. Muda é a pergunta quando omitido
    é o seu significado
    Segredada é a ausência
    Quando não se sabe ser….
    (como segredo)
    Anunciado é o fim, como pôr-do-sol.
    Que ao longe se esconde, tomado já pela noite.
    Que fogo arde sem ar?
    Que fôlego aguenta estática imagem?
    Que palavra se sente, quando não é escutada?
    Fica a sombra, sempre a sombra, em nós.
    Sombria, que se adensa até ao limite, e nada mais existir.
    Quem foi que ditou o fim?
    “Que medo nos deteve
    Que distância conteve o tempo
    Que desencontro desfez o mundo “
    Teu poema, é tecido na espera, que como areia em ampulheta, se esgota.
    Um fim, talvez uma interrogação….
    Gostei muito da declamação onde e torna mais vivo o poema,
    Como por exemplo na palavra, demoras?
    E ai, muda o sentido levando-nos á imaginação.
    Da entoação.
    ___________________
    (peço desculpa, por extenso comentário mas acontece…;)
    Dos poemas mais belos que já li.
    Belíssimo!
    Beijo

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  7. A distância consagrada em ausência construída por silêncios...

    Silêncios estes que sopram palavras sufocadas por afetos despedaçados,

    questionados e convergidos em noite (tempo da memória)...

    Na memória se inscrevem as horas repletas de lembranças,que eternizam os

    instantes passados...

    Somos sempre sozinhos nos abismos que só a nós nos pertencem.

    Em sombras densas,somos Noite...

    Podemos também Ser força solar que presentifica o desejo entre os Dias...

    Este teu poema tem uma beleza e inspiração rara,mesmo no teu padrão de arte

    excelente!!

    Bjo.

    Ps:A declamação linda,sabes que sou fã.

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  8. Filipe, meu querido Poeta Filipe, escutei algumas vezes sua declamação, linda (convém admitir, esse poema é devastador, mais um dos seus poemas devastadores, e) de olhos fechados, a casa em silêncio, em reverência como deve ser e estarmos diante do sagrado - sim a sua poesia é o que há de sagrado em mim - e ao final eu retornava ao começo, porque todo ele, é meu começo, meio e fim de tanta emoção que me causou... E como um mantra eu murmurava: vazio é a saudade deixada pela ausência sempre viva, sempre carne, sempre dor... E a dor, talvez, deixada pelo medo, além das demoras, das esperas que desesperam, de um talvez, de um silêncio que de tão silente emudece na curva do (sombrio?) desejo que não se realiza, sempre escuro, sempre noite, sempre cheio de expectativas, sempre pulsando na flor da pele, da Boca... Ou de um lugar que (a)Porta Sonhos... Decaímos nos desejos que a distância, que a noite, que a vida, que o verso, grita.
    Na memória todo tempo é lento, porque a memória tem a velocidade do desejo e do afã da realização...

    Lindo, lindo, como sempre, e ainda há a sua voz, essa que super-dimensiona o que de mais mágico reside no poema.

    Beijo!

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  9. Se pudesse ficaria aqui ouvindo uma, duas, cem vezes... Como gostei, querido.As suas palavras e mais ainda pela proximidade da voz num sotaque elegante.Perfeito!

    Beijinhos.

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  10. quadro vazio, pintura verbal. é bem assim tua poesia para mim, Felipe. um beijo de quem te admira.

    Vania Lopez

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  11. Parabéns pelo excelente trabalho; o poeta / Incompreendido_ mas consciente/ atento do mundo que o rodeia!_Autêntico!

    Bjo

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  12. E no silêncio que ecoa de nós, encontramo-nos espectantes... no recôndito do nosso ser. E o tempo passa, inerte...

    Excelente poema!
    abraço
    cecilia vb

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  13. Gi,

    simplesmente belo
    silêncio para quando as palavras não chegam para tudo expressar!

    Beijinho

    B

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  14. De tudo que se cala, do que fica na escuridão d´alma em versos...

    "Decaímos na sombra
    Sempre escura
    Sempre densa
    Sempre noite"

    Abraços, poeta

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  15. Claro que já te li mas tu precisas do tempo que, neste momento, não tenho. Voltarei...

    Bjo, Filipe

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  16. um belo momento...em que a sua voz se cola na pele...
    gostei, gostei
    brisas doces*

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  17. Poema de fruição poética na riqueza do léxico, criteriosamente escolhido para a temática (uma reflexão extremamente intimista, numa obscuridade/ausência preparada (como se compusesses um cenário onde o sujeito poético o declamaria em palco solitário), adornado por recursos expressivos como o uso de verbos no gerúndio, no seu valor durativo – acompanhando a reflexão - , a repetição de alguns vocábulos e a rima interna…
    Como se o corpo se despegasse lentamente do ser memória – o que seria trágico…
    A declamação, a meu ver, é um complemento (ou adensamento)do poema...
    Profunda admiração pela tua escrita…
    Bjo, amigo Filipe

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