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Uma ausência
Sussurrada
Um sopro
Sibilado
Silenciosamente
Convergindo
Subtilmente
Enunciando
«Estático é o fogo na inércia ateado
Inerte é o rosto em recluso rosário
Vazio é o verso em vão vazado»
Decaímos na sombra
Sempre escura
Sempre densa
Sempre noite
Decaímos como um
manto
Sempre escuro
Sempre espesso
Sempre noite
Um sopro
Ausente
Uma sílaba
Sufocada
Silenciosamente
Convergindo
Em desalento
Questionando
Que medo nos
deteve
Que distância conteve o
tempo
Que desencontro desfez
o mundo
Silente questionamento silenciando semântica questão
Na memória todo o tempo é lento
Lentamente adiantam-se demoradas horas
Reminiscências difusas
Demoras
Decaímos na sombra
Sempre escura
Sempre densa
Sempre noite
Decaímos
Sempre
Só
Sempre
ResponderEliminarsó
Somente... sempre
Muito lindo!!
Bjo.
"Que desencontro desfez o Mundo", o desencontro, amigo, da tua pena suspensa, pois basta que teu verso aflore para que junto o Mundo renasça...
ResponderEliminarSem dúvidas, caro Filipi, tu és um dos maiores poetas vivos da Pátria-mãe e, creia, é um imenso privilégio ter acesso à tua grande Arte.
fez-me pensar "gostaria de ter sido eu a escrever isto"
ResponderEliminarde facto, como se sempre, um texto de grande profundidade!
- inspirador!
um abraço de estima, com estima!
profundo como o mar
ResponderEliminaro fogo ateado mesmo pela inércia não sei se é estático
mas a queda tantas vezes por medo
é
v
e
r
t
i
g
i
n
o
s
a
e sombria.
aguardo a alegoria da ascensão.
um beijo profético de dias claros e suaves.
Decaímos sempre só
ResponderEliminarna demora das horas
onde os ponteiros cravados
no meu peito
dançam num tic-tac,
ora sombrio, ora dionísico
dois relógios descompassados
-o meu e do tempo-
quando corro, o tempo se arrasta
quando estou de rastos o tempo age.
Vejo a sombra do atemporal
me atormentando a alma
com sua voz de vento:
A felicidade me pede tempo
e o tempo me cobra felicidade.
Dois relógios me assombrando
com seus ponteiros girando
em sentidos contrários
e tudo que sei e sinto
é que por mais que o tempo passe
não há fuga nem mais lamentação
porque decaímos sempre só.
Deixo um poema nascido da tua fonte. Este tua obra de arte está sensacional. Parabéns, amigo. Até em breve! bjs
Muda é a pergunta quando omitido
ResponderEliminaré o seu significado
Segredada é a ausência
Quando não se sabe ser….
(como segredo)
Anunciado é o fim, como pôr-do-sol.
Que ao longe se esconde, tomado já pela noite.
Que fogo arde sem ar?
Que fôlego aguenta estática imagem?
Que palavra se sente, quando não é escutada?
Fica a sombra, sempre a sombra, em nós.
Sombria, que se adensa até ao limite, e nada mais existir.
Quem foi que ditou o fim?
“Que medo nos deteve
Que distância conteve o tempo
Que desencontro desfez o mundo “
Teu poema, é tecido na espera, que como areia em ampulheta, se esgota.
Um fim, talvez uma interrogação….
Gostei muito da declamação onde e torna mais vivo o poema,
Como por exemplo na palavra, demoras?
E ai, muda o sentido levando-nos á imaginação.
Da entoação.
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(peço desculpa, por extenso comentário mas acontece…;)
Dos poemas mais belos que já li.
Belíssimo!
Beijo
A distância consagrada em ausência construída por silêncios...
ResponderEliminarSilêncios estes que sopram palavras sufocadas por afetos despedaçados,
questionados e convergidos em noite (tempo da memória)...
Na memória se inscrevem as horas repletas de lembranças,que eternizam os
instantes passados...
Somos sempre sozinhos nos abismos que só a nós nos pertencem.
Em sombras densas,somos Noite...
Podemos também Ser força solar que presentifica o desejo entre os Dias...
Este teu poema tem uma beleza e inspiração rara,mesmo no teu padrão de arte
excelente!!
Bjo.
Ps:A declamação linda,sabes que sou fã.
Silenciosamente...leio e oiço!
ResponderEliminarBeijos
=> Instantâneos a preto e branco
=> Os dias em que olho o Mundo
=> Pense fora da caixa
Filipe, meu querido Poeta Filipe, escutei algumas vezes sua declamação, linda (convém admitir, esse poema é devastador, mais um dos seus poemas devastadores, e) de olhos fechados, a casa em silêncio, em reverência como deve ser e estarmos diante do sagrado - sim a sua poesia é o que há de sagrado em mim - e ao final eu retornava ao começo, porque todo ele, é meu começo, meio e fim de tanta emoção que me causou... E como um mantra eu murmurava: vazio é a saudade deixada pela ausência sempre viva, sempre carne, sempre dor... E a dor, talvez, deixada pelo medo, além das demoras, das esperas que desesperam, de um talvez, de um silêncio que de tão silente emudece na curva do (sombrio?) desejo que não se realiza, sempre escuro, sempre noite, sempre cheio de expectativas, sempre pulsando na flor da pele, da Boca... Ou de um lugar que (a)Porta Sonhos... Decaímos nos desejos que a distância, que a noite, que a vida, que o verso, grita.
ResponderEliminarNa memória todo tempo é lento, porque a memória tem a velocidade do desejo e do afã da realização...
Lindo, lindo, como sempre, e ainda há a sua voz, essa que super-dimensiona o que de mais mágico reside no poema.
Beijo!
Se pudesse ficaria aqui ouvindo uma, duas, cem vezes... Como gostei, querido.As suas palavras e mais ainda pela proximidade da voz num sotaque elegante.Perfeito!
ResponderEliminarBeijinhos.
quadro vazio, pintura verbal. é bem assim tua poesia para mim, Felipe. um beijo de quem te admira.
ResponderEliminarVania Lopez
Parabéns pelo excelente trabalho; o poeta / Incompreendido_ mas consciente/ atento do mundo que o rodeia!_Autêntico!
ResponderEliminarBjo
E no silêncio que ecoa de nós, encontramo-nos espectantes... no recôndito do nosso ser. E o tempo passa, inerte...
ResponderEliminarExcelente poema!
abraço
cecilia vb
Gi,
ResponderEliminarsimplesmente belo
silêncio para quando as palavras não chegam para tudo expressar!
Beijinho
B
De tudo que se cala, do que fica na escuridão d´alma em versos...
ResponderEliminar"Decaímos na sombra
Sempre escura
Sempre densa
Sempre noite"
Abraços, poeta
Claro que já te li mas tu precisas do tempo que, neste momento, não tenho. Voltarei...
ResponderEliminarBjo, Filipe
um belo momento...em que a sua voz se cola na pele...
ResponderEliminargostei, gostei
brisas doces*
Poema de fruição poética na riqueza do léxico, criteriosamente escolhido para a temática (uma reflexão extremamente intimista, numa obscuridade/ausência preparada (como se compusesses um cenário onde o sujeito poético o declamaria em palco solitário), adornado por recursos expressivos como o uso de verbos no gerúndio, no seu valor durativo – acompanhando a reflexão - , a repetição de alguns vocábulos e a rima interna…
ResponderEliminarComo se o corpo se despegasse lentamente do ser memória – o que seria trágico…
A declamação, a meu ver, é um complemento (ou adensamento)do poema...
Profunda admiração pela tua escrita…
Bjo, amigo Filipe