domingo, 27 de janeiro de 2013

"SEDE VACANTE"








O tempo move-se entre espaços
Entre-espaços movem-se tempos

Na penumbra são coincidentes                              
os movimentos            



«Se a sombra se abate sobre a palavra
que não se escreva nada»



Tempo-sódio sobre sonho só

                   O delírio          dilui-se               
                   O verso           dissolve-se
                   O lugar            desocupa-se    



O silêncio move-se entre espaços 
Entre-espaços escutam-se silêncios

Na penumbra        
são ecos coincidentes                 



«Se a sombra se abate como palavra
que se escreva vaga»



Verso-Mnemónico ou interrogante melopeia

«Restante passo             Alteando alto                    Resto–espaço»



Se a palavra somente sombra é
nem uma só se ilumine
nem uma só se ateie




«Voraz voz vertida na vertigem do verso
Trémulo temor de tempo-estreito

Se na penumbra a palavra se vagou
Silenciados sopram os ventos»



Sobram sussurros
Sobram confidências


Sobram sibilantes condescendências


                          Se à palavra a palavra regressar      restaurado seja o lugar



.

21 comentários:

  1. Como se a palavra tivesse hipótese de escolha. Entre o verso e a composição da Ode, só os silêncios sabem onde e como ocupar espaços em branco. Depois,...bem depois chegam os ruídos de fundo tão intensos que nem os silêncios reconhecem....

    Fazes-me sempre divagar por momentos, que nem eu sabia, por tal atrofiamento de sons que mais parecem zumbidos no escuro.

    Saudades de ti! Meu querido Poeta...amigo de todos os tempos
    Dolores

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  2. Há sempre sussurros e confidências no silêncio...
    Fala a alma, o coração, mesmo que não haja palavras....
    Lindo...
    Beijos e abraços
    Marta

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  3. Se a palavra é invisibilidade
    Se é tempo apenas
    Sede vazia que vaza ou lancinante
    Que se preenche dos tempos sem tempos
    Como relógio-de-sol, sem luz
    Na coincidência os ecos são negros
    Sobras de memórias vagam no tempo
    (que cessem as chamas de ventos)
    ou se acenderão os castiçais.


    Um poema , intrigante e belo.
    Onde certo é que a palavra nunca é sombra.

    Como sempre, um prazer ler-te.

    Gostei muito!!

    Beijo :)

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  4. Meu querido Poeta

    Por vezes é no silêncio acolhedor que nos encontramos...e é bom ficar assim flutuando entre o tempo e o espaço...na ilusão de todas as demoras...na inquietação de todos os gestos que ficam presos na memória da alma.
    Como sempre fico sem palavras para te comentar à altura do que sinto ao ler-te.

    Um beijinho
    Sonhadora

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  5. O percurso do tempo entre espaços-instantes,em movimento

    onírico,onde todas as imagens diluem, o verso em sombra e o

    corpo em vaga...

    O silêncio presentificado em tempo-espaço,ecos de vozes,

    que vagueiam em tênue luz de labirintos vertiginosos...

    Mas em retorno o silêncio,este que fertiliza a palavra,em

    partícula de luz,que reconstróe o significado:"Sede Vacante!"

    O tempo-instante em mim,ao sentir absoluto da minha entrega

    a mais um excepcional poema teu,em estado enigmático,fico

    estupefata ao caminhar das tuas palavras,que ocupam uma vaga

    única,sim,única!!

    Ps:Nunca resisto ao caminho que a tua magistral poesia

    me leva...

    Beijo,querido amigo!


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  6. As vezes eu leio o poeta, as vezes eu me leio, talvez por isso o seu poema me lembrou de um poema que escrevi e cujo título era "Vírgulas", onde eu dizia: Na respiração da palavra cabem cidades inteiras..."

    O seu poema é maravilhoso.Gosto muito, mas muito mesmo do que escreve.

    Beijinhos e desculpe-me a ausência.Meu blog anda temperamental...rs

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  7. Olá, Filipe. Passei para matar a saudade, e perdi-me nesse silêncio, dissolvi-me feito seus versos. Sem palavras...
    Beijo.

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  8. Ainda que seja sombra ou que esta sobre ela se abata, a palavra não perderá sua capacidade de comunicação. Rompe o silêncio com maestria, se usada de igual forma. Como fez você nesses versos. Abraços!

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  9. Sento-me na orla do tempo
    como quem sopra memórias em dentes-de-leão
    e invoca dias claros
    para desfolhar a recontagem dos silêncios.

    Sempre voz, a tua palavra. Sempre lugar. Sempre presença.

    Boa semana, Filipe :)

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  10. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog Rosa Solidão. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs

    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.

    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

    Abraços

    http://narroterapia.blogspot.com/

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  11. Meu querido Poeta

    Passando para te reler e deixar um beijinho com carinho.

    Sonhadora

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  12. Silêncio gerador de palavra poéticas criando um novo espaço-tempo de sentir.

    Agradeço em tempo a visita ao Palavra de Mulher.

    Um ótimo final de domingo!

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  13. A palavra, conduzindo, narrando, des-construindo (seduzindo). Ao mesmo tempo em que dilui, rasga clarões, iluminando outros sentidos, reconduzindo (os) sentimentos à gênese, ao momento seminal, ao regresso, ao restauro "daquilo" que o inominável se recusa a dizer, "aquilo" que deu origem ao poema.

    Um beijo, mestre Filipe, tu, que és um dos meus poetas preferidos!

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  14. palavras sussurradas

    poemas silenciosos e cheios de palavras.

    muito belo-

    beijo

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  15. Por isso me tardo a deixar umas palavras: leio, releio, saboreio e depois quero descobrir donde vêm os sabores...Mas não sou cientista, apenas uma pálida sombra de um verdadeiro crítico literário.
    Reparo sempre na forma, a estrutura que ergues com palavras. Isso tu já sabes. Neste, em particular, o encanto do conjunto provem mesmo desta maestria formal. Uma ordem a que te impões na desordem vertiginosa com que te surgem as ideias e que precisas de transmitir com a escolha adequada das palavras.
    Imagino um sujeito poético, solitário, vagando pelos espaços/tempo(s)que dialoga com o silêncio de espaços vazios; aí são os pensamentos/palavra que tomam as formas e se agigantam...
    Não querendo repetir-me sobre a tua superior inteligência de "fazedor" de poemas únicos, diria que aqui é a PALAVRA que homenageias...

    Bjo, querido amigo :)

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  16. Muito bom! Falar algo mais é tirar o muito bom...
    bjos!

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  17. Esperamos sempre a palavra. Reconforta-nos.
    Parabéns pelas suas!

    cvb

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  18. As tuas palavras perfazem o equilíbrio perfeito de não faltarem, nem sobrarem sejam ou não coincidentes os movimentos do tempo, que não se move, não corre, não se atrasa, nem se perde, porque o tempo, tal como o amor_______________apenas é!


    beijos

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  19. Os cantos, os espaços, os vãos do que dizes...parecem gritos. Adoro esse mistério

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