O tempo move-se entre espaços
Entre-espaços movem-se tempos
Entre-espaços movem-se tempos
Na penumbra são coincidentes
os
movimentos
«Se a sombra se abate sobre a palavra
que
não se escreva nada»
Tempo-sódio sobre sonho só
O
delírio dilui-se
O verso dissolve-se
O lugar desocupa-se
O silêncio move-se entre espaços
Entre-espaços escutam-se silêncios
Na penumbra
são
ecos coincidentes
«Se a sombra se abate como palavra
que
se escreva vaga»
Verso-Mnemónico ou interrogante melopeia
«Restante passo Alteando alto Resto–espaço»
Se a palavra somente sombra é
nem
uma só se ilumine
nem
uma só se ateie
«Voraz voz vertida na vertigem do verso
Trémulo temor de tempo-estreito
Se na penumbra a palavra se vagou
Silenciados sopram os ventos»
Sobram sussurros
Sobram
confidências
Sobram sibilantes condescendências
Se à palavra a palavra regressar restaurado
seja o lugar
.

Sem dúvida, vertigem...!
ResponderEliminarComo se a palavra tivesse hipótese de escolha. Entre o verso e a composição da Ode, só os silêncios sabem onde e como ocupar espaços em branco. Depois,...bem depois chegam os ruídos de fundo tão intensos que nem os silêncios reconhecem....
ResponderEliminarFazes-me sempre divagar por momentos, que nem eu sabia, por tal atrofiamento de sons que mais parecem zumbidos no escuro.
Saudades de ti! Meu querido Poeta...amigo de todos os tempos
Dolores
Há sempre sussurros e confidências no silêncio...
ResponderEliminarFala a alma, o coração, mesmo que não haja palavras....
Lindo...
Beijos e abraços
Marta
Se a palavra é invisibilidade
ResponderEliminarSe é tempo apenas
Sede vazia que vaza ou lancinante
Que se preenche dos tempos sem tempos
Como relógio-de-sol, sem luz
Na coincidência os ecos são negros
Sobras de memórias vagam no tempo
(que cessem as chamas de ventos)
ou se acenderão os castiçais.
Um poema , intrigante e belo.
Onde certo é que a palavra nunca é sombra.
Como sempre, um prazer ler-te.
Gostei muito!!
Beijo :)
Meu querido Poeta
ResponderEliminarPor vezes é no silêncio acolhedor que nos encontramos...e é bom ficar assim flutuando entre o tempo e o espaço...na ilusão de todas as demoras...na inquietação de todos os gestos que ficam presos na memória da alma.
Como sempre fico sem palavras para te comentar à altura do que sinto ao ler-te.
Um beijinho
Sonhadora
O percurso do tempo entre espaços-instantes,em movimento
ResponderEliminaronírico,onde todas as imagens diluem, o verso em sombra e o
corpo em vaga...
O silêncio presentificado em tempo-espaço,ecos de vozes,
que vagueiam em tênue luz de labirintos vertiginosos...
Mas em retorno o silêncio,este que fertiliza a palavra,em
partícula de luz,que reconstróe o significado:"Sede Vacante!"
O tempo-instante em mim,ao sentir absoluto da minha entrega
a mais um excepcional poema teu,em estado enigmático,fico
estupefata ao caminhar das tuas palavras,que ocupam uma vaga
única,sim,única!!
Ps:Nunca resisto ao caminho que a tua magistral poesia
me leva...
Beijo,querido amigo!
Belíssimo...sem mais a dizer.
ResponderEliminarAs vezes eu leio o poeta, as vezes eu me leio, talvez por isso o seu poema me lembrou de um poema que escrevi e cujo título era "Vírgulas", onde eu dizia: Na respiração da palavra cabem cidades inteiras..."
ResponderEliminarO seu poema é maravilhoso.Gosto muito, mas muito mesmo do que escreve.
Beijinhos e desculpe-me a ausência.Meu blog anda temperamental...rs
Olá, Filipe. Passei para matar a saudade, e perdi-me nesse silêncio, dissolvi-me feito seus versos. Sem palavras...
ResponderEliminarBeijo.
Ainda que seja sombra ou que esta sobre ela se abata, a palavra não perderá sua capacidade de comunicação. Rompe o silêncio com maestria, se usada de igual forma. Como fez você nesses versos. Abraços!
ResponderEliminarSento-me na orla do tempo
ResponderEliminarcomo quem sopra memórias em dentes-de-leão
e invoca dias claros
para desfolhar a recontagem dos silêncios.
Sempre voz, a tua palavra. Sempre lugar. Sempre presença.
Boa semana, Filipe :)
Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog Rosa Solidão. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs
ResponderEliminarNarroterapia:
Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.
Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.
Abraços
http://narroterapia.blogspot.com/
Meu querido Poeta
ResponderEliminarPassando para te reler e deixar um beijinho com carinho.
Sonhadora
Silêncio gerador de palavra poéticas criando um novo espaço-tempo de sentir.
ResponderEliminarAgradeço em tempo a visita ao Palavra de Mulher.
Um ótimo final de domingo!
A palavra, conduzindo, narrando, des-construindo (seduzindo). Ao mesmo tempo em que dilui, rasga clarões, iluminando outros sentidos, reconduzindo (os) sentimentos à gênese, ao momento seminal, ao regresso, ao restauro "daquilo" que o inominável se recusa a dizer, "aquilo" que deu origem ao poema.
ResponderEliminarUm beijo, mestre Filipe, tu, que és um dos meus poetas preferidos!
palavras sussurradas
ResponderEliminarpoemas silenciosos e cheios de palavras.
muito belo-
beijo
Por isso me tardo a deixar umas palavras: leio, releio, saboreio e depois quero descobrir donde vêm os sabores...Mas não sou cientista, apenas uma pálida sombra de um verdadeiro crítico literário.
ResponderEliminarReparo sempre na forma, a estrutura que ergues com palavras. Isso tu já sabes. Neste, em particular, o encanto do conjunto provem mesmo desta maestria formal. Uma ordem a que te impões na desordem vertiginosa com que te surgem as ideias e que precisas de transmitir com a escolha adequada das palavras.
Imagino um sujeito poético, solitário, vagando pelos espaços/tempo(s)que dialoga com o silêncio de espaços vazios; aí são os pensamentos/palavra que tomam as formas e se agigantam...
Não querendo repetir-me sobre a tua superior inteligência de "fazedor" de poemas únicos, diria que aqui é a PALAVRA que homenageias...
Bjo, querido amigo :)
Muito bom! Falar algo mais é tirar o muito bom...
ResponderEliminarbjos!
Esperamos sempre a palavra. Reconforta-nos.
ResponderEliminarParabéns pelas suas!
cvb
As tuas palavras perfazem o equilíbrio perfeito de não faltarem, nem sobrarem sejam ou não coincidentes os movimentos do tempo, que não se move, não corre, não se atrasa, nem se perde, porque o tempo, tal como o amor_______________apenas é!
ResponderEliminarbeijos
Os cantos, os espaços, os vãos do que dizes...parecem gritos. Adoro esse mistério
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