sábado, 29 de dezembro de 2012

ÍNTIMA IDADE







Eu

Verso vagamente transparente

Sem adorno
Sem relevo
Sem pretexto

Eu
No rebordo de um texto

Intermezzo tempo em íntima idade



Eu
Eu apenas

Em introspectiva redução da imobilidade
Abandonando-me
na existência incontingente


Íntegra renúncia como ascese acidental
Contrapondo à evidente artificialidade
A semiótica usurpação do tempo seminal


O aveludado medo de não chegar a ser
o Ser que o verso esquece



Ainda Eu
Eu e o Outro

Simbiótico confronto da intimidade
Simbiose de transcendência impúdica


Divagação circunstancial
Incorporando incorpórea virtude
Impedindo o tédio impuro
Defrontando discernente vontade


Questionando
A suposta proposição do tempo
Interrogando
 O assertivo pudor filosofal
Afastando
A oculta pauta do pavor



Eu
Eu só

O verso vagamente transparente
Na impercetível ironia da ingenuidade

Íntima-Idade

Só fragmentos


                                      .

15 comentários:

  1. Fragmentos que fazem um todo...!

    Deixo os meus desejos de um Bom Ano Novo!

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  2. eu
    distorção do tempo
    fragmentos da vontade
    reflexo impuro

    eu apenas

    contraposta renúncia
    à "Íntima-Idade" do verso.

    Desculpa a "usurpação" das tuas palavras :)
    Para mim, este teu Poema É um dos mais belos.

    Muito agradecida pela simpatia que sempre deixas no meu blogue, desejo-te a ti e tua família um 2013 pleno de realizações.

    Um abraço, Filipe

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  3. Entre um Eu físico ressalta o Eu (quase) intangível que apenas em verso deixa percecionar a visibilidade...

    Um Eu na sua intimidade.
    O Outro na sua circunstancialidade.

    Belíssimo, poeta!

    (Aproveito para te desejar um 2013 à medida dos teus desejos.)

    Bjo, querido amigo :)

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  4. Os "eus" diversos estão sempre dialogando. Ora vivem conflitos, ora a paz que nos permite um único "eu".
    Desejo-lhe um grande ano, em todos os sentidos. Abraços!

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  5. Meu querido Poeta

    Que neste ano de 2013 que agora se inicia possamos com uma palavra de apoio e fraternidade fazer que o mundo seja melhor e que a esperança de realizar todos os sonhos seja presente sempre nos nossos corações...que a paz o amor e a felicidade seja o alvorecer de um novo tempo de amor e fraternidade.


    FELIZ ANO NOVO
    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  6. Filipe,
    A sua poesia é sempre reflexiva e inspiradora.
    Que 2013 envergue sempre roupagens de esperança!

    Abraço

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  7. Quem o sou para algo quaisque a Ti sequer falar?

    Apenas resguardo-me no abraço saudoso

    e nos votos de que esse novo ano que nos inicia
    traga-nos esperanças de algo mais além da nossa
    percepção.

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  8. Vagamente sou Eu Sem molduras
    Eu (Ser)
    Eu (extremo)
    Deixando as ondas entrarem no jardim
    Eu dramaticamente em eras
    Eu consciente vagando-me da certeza

    Imprevisto crente
    Contrariando a mentira
    O pavor como fumo nebuloso
    Como ponto de interrogação

    Eu e o sonho
    Eu, o Poeta
    Inconsciente consciência

    Que no acaso se torna melodia
    Filosofando na palavra as histórias da vida
    Escondendo a vertigem do abismo

    Eu e o Poeta (um Só)
    Intimamente, pedaços de Sonhos.

    Um poema, sem dúvida intenso, íntimo e belo
    Onde existe um confronto entre o Ser e Poeta.
    Adorei, Beijo


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  9. A beleza e profundidade intimista desse teu poema,nos conduz

    a um caminhar pelo um sentir pleno,entre o ser e o não ser;

    o eu e o outro;a aceitação e a inquietude,a entrega e o

    medo...

    Os versos em excelência,talhando palavras vivas em

    sentimentos,desnudando o existir em fragamentos de pura

    inspiração,intensa reflexão em poesia espelho e reflexo do eu

    profundo,que ecoa o contato de perto do ser...

    Sabes,querido poeta,esse teu poema ecou em mim,uma emoção

    intensa,que delicadamente me inundou em ondas do precioso

    momento contactado,a arte na sua expressão mais sublime...

    Belíssimo!!!

    Feliz ano novo!!

    Bjo,amigo.

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  10. Querido Poeta

    Os nossos Eus que estão sempre em confronto...sempre a querer respostas para perguntas que por vezes tememos fazer.
    Sempre IMENSO.


    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  11. Lindo seu poema.Senti um verdadeiro confronto.
    Somos ambíguos mesmos, sempre esbarramos no outro... Que na verdade é um reflexo dos outros.
    Beijo, Filipe.

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  12. O verso cru, na carne, no espelho, sem enfeite ou efeito decorativo, mas de uma pungência refletida nas entrelinhas que sabiamente não esmagaste, mostrando a transparência, ora do poema, ora a intenção do autor.
    Gosto do recurso literário da aliteração, esse jogo de palavras; os sinais e os signos tão bem construídos ao longo do texto. O tempo todo, nos deparamos com o caráter duplo, dessa narrativa, constituída dos planos que se complementam o significante e o significado; e tu, Filipe, nos permite nos apropriarmos e criarmos os nossos próprios emblemas e totens, dentro dos seus eus, da sua intimidade, os nossos sentidos e significados.

    Parabéns por mais essa bela construção.

    E um beijinho!

    ;))

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  13. Bom dia!
    Pedi o endereço do blog,à Ana Barbara Stº António, para conhecer melhor a sua poesia, pois adorei o que leu no passado dia 19, no orfeão.
    Parabéns, identifico-me muito com a sua escrita, pelo que li aqui, ela tem identidade, faz a diferença, tem personalidade!

    Muitos parabéns!
    vou continuar a seguir.

    ps:gostaria de lhe endereçar um convite relacionado com poesia, mas nao tenho email. Deixo o meu caso pretenda: anahomemalbergaria@hotmail.com

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  14. Desde eu que vive na poesia escrevo o que ouço repousar em silêncio a cada digíto.
    Tua poesia inspira
    Beijo e bom final de semana, poeta

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  15. Tu nu(m) texto abandonado ao tempo de espera da construção do poema
    Tu _________________di___vagando sobre a pureza que o teu olhar provoca sempre que desconstróis o poema na transparência da solidão do verso.
    Tu
    poeta________________poema.

    Sempre, em cada sílaba a marca indelével da tua letra (a letra).

    Bj.º

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