Cai
Calada
A Noite
Caem sombrosas sombras em sombria secessão
São soturnos vultos de inominado nome
São sussurrantes sons em soturna cadência
«Nove vezes a face nos assola
Nove rostos nos assomam em memória
Nove terços somados como partes
Nove novenas em verso formando tempestades»
Calada
Cai
A Voz
( Entre nós há um espaço de silêncios )
Uma oblíqua distância em muda redundância
Uma indizível ausência em emudecimento
Um redutivo mutismo reduzido em verso
Como excesso que o excede
Uma silente sujeição em seguimento
Como paradoxal tangente à enunciação
«Perene pena pendente permanece
Vago vazio vagando vaga voz
Figurado fogo fragmentando a foz»
Cai
Descrente
O Crente
Sacra sucumbência em altar sacrificante
Leda pena na seda sangrada
«Efémero multiplicador em ímpar equação»
Penitente indulgência ou presença assimétrica
Crença na simetria existente na ausência
«Fátua figuração de um mundo fulgente»
Decaído
Cai
O Mote
«Na supérflua asfixia da perplexidade
Na asfixiante paradoxia da póstuma morte»
Cai
Decadente
A Decadência
Cai amorfo o verso em
alvoroço
.

Poeta
ResponderEliminarQue dizer perante o teu talento para entrelaçares palavras e sentimentos com uma profundidade que não me atrevo a comentar...eu posso sentir e tu sabes.
Um beijinho
Sonhadora
Como negro gelo caíndo
ResponderEliminarNum manto sombras ocultas que segredam preces
Muda reprimida assolada (cala-se a voz)
Espaços de tempo (som)
Tortuosas distâncias em abundância
Inexprimíveis, como secos espinhos mudos
Contraditórias vozes anunciam a pena
(Vazia ) onde espera a hora , o principio do fim.
Partem-se os terços que sucumbem em dor
(só) sem sombra igual
Na desilusão entristecida
Morrem as palavras admiradas absurdas posteriores ao fim
Em tumultuosa queda .
Extrema a beleza da tua escrita
Mas lancinante na Alma, Sempre incomparável tua poesia
Um prazer ler-te.
Beijo
http://www.youtube.com/watch?v=RElGrczrf-E
ResponderEliminarArturo Stalteri - An Ending
leio(te) ao som desta melodia e sei do alvoroço do verso sem mofo.
sei da morte que não é mote, na decadente de_cadência
penitência
para o crente que cai
em pecado
santificado pelo perdão entre nós nunca haverá noite apenas horas paradas
e a tua poesia é o relógio de sol de tantas vidas.
Bj.º
As vezes, a existência nos pesa como numa queda profunda, como
ResponderEliminarnum escurecer das lembranças em redundância de um tempo
intocável,mas mesurável nos espaços do silêncio...
E no cenário do mundo,as cortinas são tênues na efemeridade
dos personagens,o palco gira...
No espaço do sentir,o tempo se inscreve em música,construido
por silêncios que decifram significados,além do comum,exato
visível.
A tua arte poética é esse tempo inscrito por música rara,
beleza ímpar e complexidade profunda que nos alvoroça
(inquieta),nos silencia(paralisa) e nos encanta,arrastando
enigmaticamente para os nossos abismos...
Beijo,querido amigo e poeta mestre!
Cai
ResponderEliminarDecadente
A Decadência
Cai amorfo o verso em alvoroço
Morre -se muito antes de cair...
Excelente!Para ler e reler porque é imenso o seu poetar.
Beijos.
Cai a pena entre os dedos da poeta
ResponderEliminarnove vezes gritou a poeta
nove horas nasceu a poeta
e as nove quis morrer:
entre papéis mal escritos,
linhas tortas, tinteiro virado
e um rastro de incompreenssão...
19 era o dia do seu nascimento
9 era a hora da sua chegada ao mundo
9 era o seu número preferido
mas não pode escolher a hora da partida
apenas o dia
nove!
Olá, Filipe,
ResponderEliminarCheguei até cá pelo blog "Teoria do Caos", e gostei muito do espaço que encontrei. Voltarei mais vezes, para ler com mais calma e para descobrir as novas palavras!
Parabéns pelo blog.
Beijo
Filipe, tu sabes que esse poema me inquietou desde a primeira leitura dele, e cada vez que o releio, é como se eu estivesse diante de um novo poema - desde que o publicaste que eu dialogo com ele, que eu me inquieto com ele, que eu venho cá lê-lo -, como se nas minhas infindas leituras ele se multiplicasse nove mil vezes (lembrei-me de "Nove, Novena", uma obra do Osman Lins, um dos meus autores preferidos, creio já ter comentado contigo). E como o autor aqui citado no parêntese, cada poema seu é uma ruptura com o anterior, ainda que em sua estrutura, sejam parecidos. A cada novo escrito, é como se eu me deparasse com uma "metalinguagem aninhada", onde eu e minha interpretação do poema, nos abstraímos de tudo o que nos cerca, e apenas o poema nos salva da própria solidão exigida pelo ato, porque é a leitura de nós mesmos, a escrita de nós mesmos.
ResponderEliminarUma narrativa macro, se entrecruzando com a micro-narrativa, onde uma dá suporte à outra, (apenas) para demonstrar o quanto cada estrofe do poema têm vida própria e in(ter)dependência uma da outra.
E que fôlego lírico, que sopro lírico, e como gosto do seu estilo poético.
Obrigada por tanta emoção sentida diante de mais essa obra sua!
Um beijo!
P.S.
Aquele é o poema do Pessoa que mais gosto, e em especial aquele fragmento. Se eu tivesse a capacidade de escrever algo daquela grandeza, eu não tentaria escrever mais nada, rs
Um gosto ter encontrado este seu blogue e a sua poesia.
ResponderEliminarGostei. Já agora aproveito para desejar a si e sua
Família um FELIZ NATAL.
Irene Alves
O verbo cair não faz cair o seu poema. Dá-lhe textura e reune-o.
ResponderEliminarE o verso, a que chama amorfo, mas com muita qualidade, até fica, em alvoroço. Mostra-se.
A sua poesia não é nada fácil de interpretar.
Só quem a escreve, a sabe dedilhar.
Abraço.
E a maior beleza de seu poema está na caída dos versos, eis que estes não morrem e não conhecem a singularidade das datas e do tempo. Abraços
ResponderEliminarPoeta
ResponderEliminarPassando hoje apenas para agradecer a presença carinhosa no meu aniversário, fiquei emocionada.
Um beijinho
Sonhadora
Li e reli. Atentei na estrutura e tentei inferir a lógica de cada mote, ao alterares a sua posição. Será daí que partirei para a análise. Vai ser desafiante (ainda não tenho o espírito liberto para me entranhar neste adensado escrito)...
ResponderEliminarPara já, um bjo, amigo Filipe
Meu querido Poeta
ResponderEliminarQue todos os teus dias sejam Natal e do coração nunca se apague o sol
Que todos os momentos sejam plenos de felicidade...amor e esperança
Que todos os sonhos se transformem em realidade com a força do amor
Que o espírito do verdadeiro Natal renasça nas mãos de uma criança
Os meus votos de Feliz Natal junto de todos que te são queridos e
que a felicidade e o amor estejam sempre presentes na tua vida.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Um cair sem fim
ResponderEliminarNo buraco negro da noite...
Grande poeta!
A Dani já leu e poetisou sobre este teu poema notável (eu também) ... fiquei cismático com a íntima idade ... não resisto a andar à volta das tuas palavras :
ResponderEliminarEu e a minha idade
pública !
Eu e a minha priva(c)idade
íntima
que do respeito pelos espaços
complementos perfeitos do eu ...
social
se faz - ou deveria fazer -
o eu universal !
Abraço e votos dum 2013 muito feliz .
Já tudo te foi dito sobre o poema, relevando a análise feita por”Canto da Boca), sem desprimor quem te comentou.
ResponderEliminarNeste tempo , que é esparso, queria relevar a sequência dos “motes”, a repetição de alguns vocábulos e a sua propositada alternância; a fixação da noite, a relevância da voz(calada), a particularização do crente(descrente) e o enfoque no Mote (decaído) para chegar à Decadência. A noite, escuridão, foi “mote” para uma “morte” anunciada da pessoa e seu Eu poético. Poema de descrença, com hábil intenção de repetição de algumas consoantes (como se foram sibilinas), adequadas à finalidade da mensagem.
Poema profundíssimo, quase niilista.
Sinceros parabéns, amigo Filipe.
Bjo
Correção: sem desprimor de quem te...
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