domingo, 21 de outubro de 2012

Do Passado e do Tempo que Não Passou









 «A eternidade é incertamente certa

uma forma de promessa

uma alterância inversa

em controversa alteração»





Diz-me do passado         o tempo que não passou 
                          
A hora que não passa

A hora que por nós passou




Delétra da letra encoberta         a nostálgica vogal

A vaga profecia

A poética fraga

                                     O instante persistentemente insistente





O pretérito predicado prolonga o verso constante

A sílaba aberta silva o sibilo som da certeza incerta



Angulares permanências são geometrais ausências





Do outro lado da metáfora         arrasta-se a memória

Tristemente entristecida            cingida ao entardecimento




Diz-me do tempo            o tempo em nós pousado 

                                     o impassado passo        

                                     o inultrapassado impasse





«A memória é certamente incerta

uma  controversa crença

uma presença perversa

em variação perpétua »





Dá-me o tempo num furtivo poema  

A estrofe fugaz

O verso-alento       
         
                                O inalterado tempo




O axioma é oculto

O idioma é dúbio



Sustido escrito é mudo testemunho

Sustida escritura é ignota revelação




Dá-me a textual nudez de um corpo nu papiro inscrito 



                                               Diz-me do passado         que o tempo não passou     



.       

26 comentários:

  1. Olá Gi,

    O silêncio do tempo que ao poeta nunca passa!
    Se o tempo passa, existe outro que permanece.

    Bjo

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  2. Do passado que não passou
    Dos passos de um passado inexistente
    (como tempo ainda por acontecer)

    Incerto como poema escrito em nevoeiro
    É a incerteza, do que existe para lá da imensidão

    Que prende como profético som
    Preso nos passos da memória, da palavra que não esquece.

    Porque pararam os relógios presos em silvas?
    E do tempo só um Tempo
    Uma palavra.
    Uma revelação.
    (mesmo que nada seja eterno)

    Um poema onde a incerteza se cruza com a Alma,
    Se formando em prece, com nuances de Saudade, Amor.

    Tua poesia tem o dom de nos levar…
    Como, sempre sublime.

    Adorei.
    Beijo

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  3. A memória inscrita nos dias que não passaram... Em marca

    permanente nos instantes feitos de eternidade na

    alma-saudade-dor.

    Um poema que nos captura,nos envolve e nos transporta para

    um mundo paralelo sem horas e nos congela no sentir intenso,

    dolorido e nostálgico.

    Sempre magistral a tua poesia,amigo!!

    E sempre um presente para mim,ler-te.

    Bjo.

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  4. Meu querido Poeta

    O tempo é como o vento...leva as nuvens e deixa os sonhos que perduram para além do tempo...em imagens que acendem todas as lembranças...que guardam todos os silêncios onde gravámos todos os passos...Lindo como sempre ler-te.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  5. Ler-te transporta-me até bem longe...lá em cima nas nuvens, depois tento descer devagarinho embalada nas palavras.
    Sublime...mais uma vez!

    Beijos,

    Cláudia

    " Diz-se do passado que o tempo não passou"

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  6. mais um belíssimo trabalho, que gostei muito. muito...

    e do passado que não passou, só nós sabemos...

    um bom fim de semana.

    um beij

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  7. Sempre que visito este espaço, aprendo muito sobre o que pode ser a poesia e o que pode ser a experiência de a ler bem feita, mesmo que, por vezes, ela seja críptica para mim. Não se reflecte necessariamente nas minhas próprias palavras, mas, sem dúvida que, entre tantas incertezas que se prolongam pelo tempo instável, consegue um lugar cativo na minha memória.

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  8. Por detrás das pálpebras
    o movimento das memórias
    claridades rendidas à nudez das árvores
    adormecidas na sombra do tempo que me leva
    o tempo que é
    inverso do tempo que sou.

    Obrigada, Filipe. Boa semana

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  9. O tempo não passou para os inúmeros elementos cravados em nossa memória, nada seletiva. E que certezas nos traz? A de que não as encontraremos nessa aparente eternidade de sentimentos. Abraços

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  10. E a memória persiste em se fazer presente, inventando palavras, devastando as horas, engolindo o tempo. Criando pontes entre o que foi, e é, e será, não passará e nessa permanência, cria outras instâncias, matematicamente calculadas, uma regra de três: "Do outro lado da metáfora arrasta-se a memória

    Tristemente entristecida cingida ao entardecimento"

    com uma resposta desoculta e nua: a tua sempre bela e inquietante poesia!

    Beijinhos, Filipe!

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  11. Olá amigo Filipe,

    Um poema denso, escrito na memória, que o tempo não apagou
    Por ela não passou

    “Diz-me do passado que o tempo não passou”

    Ecos que permanecem.
    Uma dúvida ficará desfeita
    Quando a memória se confundir com a eternidade
    Quando o tempo se esvair na palavra, no acto, em nós
    Que somos presente

    “Diz-me do tempo
    O tempo em nós pousado
    O impassado passo
    O inultrapassado impasse”
    Tudo o resto desaparecerá
    Apesar de agarrarmos as memorias, o passado
    E por outro lado o sonho, o futuro
    E os trazermos para o presente

    “Dá-me o tempo num furtivo poema”

    São estados
    Que criam barreiras, obstáculos quase inconscientes
    Mas bem reais e físicos

    Apenas podemos ser (apenas podemos realizar) no agora

    “Diz-me do passado que o tempo não passou”

    O tempo não passa.

    Acho que me afastei do foco e divaguei nas tuas palavras
    No teu poema de excelência.

    Abraço.

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  12. Oi. Tudo blz? Estive aqui dando uma olhada. Muito legal. Apareça apor la. Abraços.

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  13. Se os relógios fossem feitos de manteiga como é suposto que Dali os imaginou ... barravamos o pão com as horas derretidas ... derretíamos por ser bom demais o passar de cada segundo e ... ainda assim ... não duvido que basta um sorriso da pessoa amada para que os tempos aglutinados(passado,presente e futuro)se transformem em Arte viva , pode ser ao e no inverso , algures sempre alguém acreditará (ou guardará) a foto que CONGELOU o ser tornando-o inalteravel . Abraço . Perdoa o devaneio.

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  14. hoje só venho reler e deixar meu sorriso :)

    e do presente só nós sabemos!

    beij

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  15. "Dá-me o tempo num furtivo poema."

    Pedido concedido, poeta, porém não êfemero quando repousa em outros olhos.

    Aprecio tua poética.

    beijos,

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  16. Metáforas e antíteses abrilhatam a festa das palavras.

    Beijo.

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  17. Filipe,

    Em reconhecimento ao teu trabalho que muito aprecio reservei o prêmio Dardos para você no PALAVRA DE MULHER (postagem dia 02/11/2012).

    Informações sobre o SELO/PRÊMIO
    O Prêmio Dardos foi criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade.
    No ano de 2008 concedeu no seu blog Legendas de "EL Pequeño Dardo" o primeiro Prêmio Dardos a quinze blogs selecionados por ele. Ao divulgar o prêmio, Zambade solicitou aos blogs premiados que também indicassem outros blogs ou sites considerados merecedores do prêmio. Assim a Premiação se espalhou pela Internet.

    Cada ganhador do selo deve continuar a fazer premiação (se quiser, é claro) aos blogs que por ele considerar merecedores, seguindo as regras a pedido do criador do selo:

    1. Exibir a imagem do selo em seu blog.
    2. Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.
    3. Escolher outros quinze blogs a quem entregar
    o prêmio dardos.
    4. Avisar os escolhidos.

    um enorme abraço,

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  18. Gostei da sonoridade do poema. Escreves muito bem e tens um rico vocabulário. Bjs.

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  19. Hoje passando apenas para para te voltar a ler e deixar um beijinho e um sorriso.

    Sonhadora

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  20. Ouvi o tom que o tempo tem,zunindo brilhante o som... Brilhante, disse bem!

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  21. Não me esqueci do teu Porta-Sonhos...
    Cá virei com o tempo que te é tão caro em temática e em mim escravizante...

    Bjo :)

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  22. Poesia rica e surpreendente, querido.Foi como abrir as portas para um mundo novo.Preciso vir aqui mais vezes.


    Obrigada pela visita carinhosa.Não sou poeta, mas gosto das palavras... assim como gosto de fotografia e nada melhor que essa tela para representar a elasticidade das metáforas.


    Beijinhos e uma boa semana.

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  23. Há um tempo em nós que o tempo não apaga. Gostei desta construção poética.

    Grata pela passagem e pelas palavras deixadas no meu lugar.

    Um abraço.

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  24. Apesar do pó das pedras, inconformismo instigador num grande poema.

    Abraço

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  25. o tempo como o amor:É!
    (mais uma vez jurava que já tinha comentado:-)___a idade não perdoa, mas eu tento perdoar a minha idade:-)

    __________e dada a nudez inscrita num papiro, o tempo continua a ser.

    (qual é a (tua) vogal nostálgica hoje?
    bj.º

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