«A eternidade é incertamente certa
uma forma de promessa
uma alterância inversa
em controversa alteração»
Diz-me do passado o
tempo que não passou
A hora que não passa
A hora que por nós passou
Delétra da letra encoberta a
nostálgica vogal
A vaga profecia
A poética fraga
O instante persistentemente insistente
O pretérito predicado prolonga o verso constante
A sílaba aberta silva o sibilo som da certeza incerta
Angulares permanências são geometrais ausências
Do outro lado da metáfora arrasta-se
a memória
Tristemente entristecida cingida
ao entardecimento
Diz-me do tempo o
tempo em nós pousado
o impassado passo
o inultrapassado impasse
«A memória é certamente incerta
uma controversa
crença
uma presença perversa
em variação perpétua »
Dá-me o tempo num furtivo poema
A estrofe fugaz
O verso-alento
O inalterado tempo
O axioma é oculto
O idioma é dúbio
Sustido escrito é mudo
testemunho
Sustida escritura é ignota revelação
Dá-me a textual nudez de um corpo nu papiro inscrito
Diz-me do passado que
o tempo não passou
.

Excelente, Filipe.
ResponderEliminarDivaguei...
Abraço,
:-)
Olá Gi,
ResponderEliminarO silêncio do tempo que ao poeta nunca passa!
Se o tempo passa, existe outro que permanece.
Bjo
Do passado que não passou
ResponderEliminarDos passos de um passado inexistente
(como tempo ainda por acontecer)
Incerto como poema escrito em nevoeiro
É a incerteza, do que existe para lá da imensidão
Que prende como profético som
Preso nos passos da memória, da palavra que não esquece.
Porque pararam os relógios presos em silvas?
E do tempo só um Tempo
Uma palavra.
Uma revelação.
(mesmo que nada seja eterno)
Um poema onde a incerteza se cruza com a Alma,
Se formando em prece, com nuances de Saudade, Amor.
Tua poesia tem o dom de nos levar…
Como, sempre sublime.
Adorei.
Beijo
A memória inscrita nos dias que não passaram... Em marca
ResponderEliminarpermanente nos instantes feitos de eternidade na
alma-saudade-dor.
Um poema que nos captura,nos envolve e nos transporta para
um mundo paralelo sem horas e nos congela no sentir intenso,
dolorido e nostálgico.
Sempre magistral a tua poesia,amigo!!
E sempre um presente para mim,ler-te.
Bjo.
Meu querido Poeta
ResponderEliminarO tempo é como o vento...leva as nuvens e deixa os sonhos que perduram para além do tempo...em imagens que acendem todas as lembranças...que guardam todos os silêncios onde gravámos todos os passos...Lindo como sempre ler-te.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Ler-te transporta-me até bem longe...lá em cima nas nuvens, depois tento descer devagarinho embalada nas palavras.
ResponderEliminarSublime...mais uma vez!
Beijos,
Cláudia
" Diz-se do passado que o tempo não passou"
mais um belíssimo trabalho, que gostei muito. muito...
ResponderEliminare do passado que não passou, só nós sabemos...
um bom fim de semana.
um beij
Sempre que visito este espaço, aprendo muito sobre o que pode ser a poesia e o que pode ser a experiência de a ler bem feita, mesmo que, por vezes, ela seja críptica para mim. Não se reflecte necessariamente nas minhas próprias palavras, mas, sem dúvida que, entre tantas incertezas que se prolongam pelo tempo instável, consegue um lugar cativo na minha memória.
ResponderEliminarPor detrás das pálpebras
ResponderEliminaro movimento das memórias
claridades rendidas à nudez das árvores
adormecidas na sombra do tempo que me leva
o tempo que é
inverso do tempo que sou.
Obrigada, Filipe. Boa semana
O tempo não passou para os inúmeros elementos cravados em nossa memória, nada seletiva. E que certezas nos traz? A de que não as encontraremos nessa aparente eternidade de sentimentos. Abraços
ResponderEliminarE a memória persiste em se fazer presente, inventando palavras, devastando as horas, engolindo o tempo. Criando pontes entre o que foi, e é, e será, não passará e nessa permanência, cria outras instâncias, matematicamente calculadas, uma regra de três: "Do outro lado da metáfora arrasta-se a memória
ResponderEliminarTristemente entristecida cingida ao entardecimento"
com uma resposta desoculta e nua: a tua sempre bela e inquietante poesia!
Beijinhos, Filipe!
Olá amigo Filipe,
ResponderEliminarUm poema denso, escrito na memória, que o tempo não apagou
Por ela não passou
“Diz-me do passado que o tempo não passou”
Ecos que permanecem.
Uma dúvida ficará desfeita
Quando a memória se confundir com a eternidade
Quando o tempo se esvair na palavra, no acto, em nós
Que somos presente
“Diz-me do tempo
O tempo em nós pousado
O impassado passo
O inultrapassado impasse”
Tudo o resto desaparecerá
Apesar de agarrarmos as memorias, o passado
E por outro lado o sonho, o futuro
E os trazermos para o presente
“Dá-me o tempo num furtivo poema”
São estados
Que criam barreiras, obstáculos quase inconscientes
Mas bem reais e físicos
Apenas podemos ser (apenas podemos realizar) no agora
“Diz-me do passado que o tempo não passou”
O tempo não passa.
Acho que me afastei do foco e divaguei nas tuas palavras
No teu poema de excelência.
Abraço.
Oi. Tudo blz? Estive aqui dando uma olhada. Muito legal. Apareça apor la. Abraços.
ResponderEliminarSe os relógios fossem feitos de manteiga como é suposto que Dali os imaginou ... barravamos o pão com as horas derretidas ... derretíamos por ser bom demais o passar de cada segundo e ... ainda assim ... não duvido que basta um sorriso da pessoa amada para que os tempos aglutinados(passado,presente e futuro)se transformem em Arte viva , pode ser ao e no inverso , algures sempre alguém acreditará (ou guardará) a foto que CONGELOU o ser tornando-o inalteravel . Abraço . Perdoa o devaneio.
ResponderEliminarhoje só venho reler e deixar meu sorriso :)
ResponderEliminare do presente só nós sabemos!
beij
"Dá-me o tempo num furtivo poema."
ResponderEliminarPedido concedido, poeta, porém não êfemero quando repousa em outros olhos.
Aprecio tua poética.
beijos,
Metáforas e antíteses abrilhatam a festa das palavras.
ResponderEliminarBeijo.
Filipe,
ResponderEliminarEm reconhecimento ao teu trabalho que muito aprecio reservei o prêmio Dardos para você no PALAVRA DE MULHER (postagem dia 02/11/2012).
Informações sobre o SELO/PRÊMIO
O Prêmio Dardos foi criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade.
No ano de 2008 concedeu no seu blog Legendas de "EL Pequeño Dardo" o primeiro Prêmio Dardos a quinze blogs selecionados por ele. Ao divulgar o prêmio, Zambade solicitou aos blogs premiados que também indicassem outros blogs ou sites considerados merecedores do prêmio. Assim a Premiação se espalhou pela Internet.
Cada ganhador do selo deve continuar a fazer premiação (se quiser, é claro) aos blogs que por ele considerar merecedores, seguindo as regras a pedido do criador do selo:
1. Exibir a imagem do selo em seu blog.
2. Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.
3. Escolher outros quinze blogs a quem entregar
o prêmio dardos.
4. Avisar os escolhidos.
um enorme abraço,
Gostei da sonoridade do poema. Escreves muito bem e tens um rico vocabulário. Bjs.
ResponderEliminarHoje passando apenas para para te voltar a ler e deixar um beijinho e um sorriso.
ResponderEliminarSonhadora
Ouvi o tom que o tempo tem,zunindo brilhante o som... Brilhante, disse bem!
ResponderEliminarNão me esqueci do teu Porta-Sonhos...
ResponderEliminarCá virei com o tempo que te é tão caro em temática e em mim escravizante...
Bjo :)
Poesia rica e surpreendente, querido.Foi como abrir as portas para um mundo novo.Preciso vir aqui mais vezes.
ResponderEliminarObrigada pela visita carinhosa.Não sou poeta, mas gosto das palavras... assim como gosto de fotografia e nada melhor que essa tela para representar a elasticidade das metáforas.
Beijinhos e uma boa semana.
Há um tempo em nós que o tempo não apaga. Gostei desta construção poética.
ResponderEliminarGrata pela passagem e pelas palavras deixadas no meu lugar.
Um abraço.
Apesar do pó das pedras, inconformismo instigador num grande poema.
ResponderEliminarAbraço
o tempo como o amor:É!
ResponderEliminar(mais uma vez jurava que já tinha comentado:-)___a idade não perdoa, mas eu tento perdoar a minha idade:-)
__________e dada a nudez inscrita num papiro, o tempo continua a ser.
(qual é a (tua) vogal nostálgica hoje?
bj.º