terça-feira, 21 de agosto de 2012

O SOM DO SILÊNCIO






Na intermitente intermitência da distância  

O horizonte afasta-se ________________________________________distante



Na descontinuidade      a terra estremece

                                                           cede

                                                                desfalece



Nada me move

                                  Não o lento sopro do tempo

                                  Não o adiantado passo da hora




No inverso verso do verso

                                              Emudecem cálidas sílabas    em asfixiadas palavras



Perpetuando

                                Nos infindantes significados

                                Nos indefinidos significantes

                                                                               O Silêncio








Na distante intermitência do desígnio

O mundo torna-se _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ intermitente




Em silente seguimento        o solo arrasta-se

                                                              quebra

                                                                     colapsa



No verso do inverso verso

                                               Inclinam-se rasas águas

                                               Irrompem temerosos medos

                                               Dobram-se silêncios



Nada me move

                           Não a insistência inconforme

                           Não o dolente acorde do andamento   

                                                                           Desnudando singular mudez
                                                                                 
                                                                           Em seus rituais plurais


                                                                                     Sussurrados significantes

                                                                                     Sussurrantes significados




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20 comentários:

  1. Excelente texto, caro Filipe, como sempre. Abraços, Pedro.

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  2. Filipe, qualquer comentário seria superfluo depois do que li!!!
    Fica uma música!

    http://www.youtube.com/watch?v=BvsX03LOMhI

    Beijos in silence...shiu!!! :)

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  3. Ao som do silêncio, as paalvras se exaurem, como se fossem

    gota a gota do som, em curso de um rio invertido para o oceano

    nada...

    Ao som do silêncio que me emudece... Em passos dos versos que

    inverso em mim ficam, duplicam silenciosos significados e

    o mundo em suspenso estado...

    Querido amigo,no meu suspenso silêncio em lágrimas... Levo

    comigo, este teu magnífico e inspirador poema, o caminho

    dos grandes mestres da poesia.

    Ps:Esse belíssimo poema precisa ser declamado por ti,tá?

    Bjo.


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  4. Sempre que te leio, algo me fica a bailar no pensamento, a cadência das palavras, o aprumar do pensamento, como horas mortas suspensas num vazio e uma incrível frase, que me sibilou, como uma serpente fria e ágil ao ouvido:

    "Emudecem cálidas sílabas em asfixiadas palavras"

    Fico sempre assim ou quase quando te leio...Emudecido diante de tão genial poema. Não digo o melhor, porque seria reduzir toda a tua alma a punhado de poemas, mas apenas singular e bastante forte.
    Um silêncio que ganhando o avanço de murmúrio do poeta fica no pensamento horas a fio de quem lê...e isso é magia!

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  5. Filipe,
    Tu és um poeta maior, a tua poesia sempre me deslumbra.
    Bj
    Nanda

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  6. Silêncio...
    E sintamos na alma cada verso deste poema.
    Lindo!
    Grande abraço,poeta.

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  7. O tempo por aqui engoliu as palavras... nem por isso nos roubou o sentido.
    Maravilhoso poema, Filipe.
    Beijos.

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  8. Apenas te consigo dizer que na cadência contínua em que comecei a leitura... a determinada altura não consegui acompanhar o ritmo... tive que parar e respirar fundo de tal forma fui dominada pelas minhas emoções e pelo que em mim despertaram as tuas palavras...
    ...recomecei então noutro ritmo, mas mesmo esse continuou a ser intermitente, mas aí sim já lhe consegui (devidamente) saborear a beleza e a essência que em ti são realmente algo de sublime.

    Beijinhos felizes e que a inspiração te acompanhe sempre :)

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  9. A contradição parece ser a tônica do poema, onde os sentimentos pressionam as palavras para explodirem antes que essas estrangulem a poesia cada vez mais expressiva e inequívoca em cada verso teu, Filipe, que é o que move o mundo!

    Um beijo!

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  10. Gi,

    Uma gota de esperança surge na imensidão deste abismo, onde o que encontro e ferozmente me agarro, um punhado de terra que posso repousar meus pés.
    Não seria o silêncio a forma mais poética de desvendar a alma?

    As palavras asfixiadas, paradas a força na garganta adormecem e se tranquilizam em sono profundo. Enquanto isso os olhos abrem a janela para o mais puro sentimento de nossa insignificante existência.

    Nada é proferido, não precisa
    O silêncio fala mais que mil palavras.


    É sempre prazeroso ler-te

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  11. Um poema magnífico, que se escuta, desde o primeiro momento em que se lê.
    Para voltar a ler... e escutar :)

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  12. Como estava um pouco afastada estou tentando voltar aos poucos
    novamente tentando digerir o desconforto que estou passando no momento.
    Eu não posso parar muito menos desistir de lutar como sempre fiz.
    E a amizade nos da força sempre para continuar nossa jornada.
    Nessa rapida visite convido você a ler minha postagem
    também dizer se gostou do novo visual da nossa Viagem.
    Lindo final beijos no coração,Evanir.

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  13. O sino da Igreja, posta no alto cume do meu ser toca no tempo atemporal, indiferente ao sentir, mas sabe, das badaladas sufocadas que a vida sopra boca adentro, para as guardar, ouvir...ou talvez rezar...a reza nunca ora o que a alma sonha, só repete o que se pode...
    Amigo poeta, a arte tua é uma fonte onde as nascentes (em nós), simplesmente brotam e, cada ser, independente do que o teu ser quis dizer, revela algo lá no fundo, na cave, no sub-inconsciente. Parabéns pela tua arte.Beijos e abraços nossos!

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  14. Querido Poeta

    Este poema é um hino à poesia...um momento de silêncio onde se ouvem as batidas do coração do poeta.

    Obrigada pela visita carinhosa e pelo apoio, não vou desistir, não porque o que escrevo seja muito bom, mas é meu.

    Um beijinho
    Sonhadora

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  15. No espaço do Intervalo interrompido
    Os olhos não alcançam o azul do Sonho________Longe

    Quando o relógio se quebra
    (Sou a areia em pó que as tempestades não levam…)

    No silêncio constroem –se ainda os castelos na memória
    No sonho, eterno,
    Onde o silêncio tem voz.

    Um poema de eternidade de uma beleza pura e sentida,
    Onde o silêncio não importa.
    Como sempre inigualável.

    Beijo







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  16. Meu querido Poeta

    Passando para agradecer a visita pelo aniversário do meu blogue, é uma honra sempre.
    Escrevi um poema diferente dos que costumo escrever, gostaria da tua opinião de poeta.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  17. Apesar de ler com atenção, precisava de mais tempo...

    Em todo o caso, o que apanhei nesta arte poética, foi a relevância que concedeste ao espaço, se bem que o não dissocies do tempo. É o espaço personificado, que sente o vazio das pessoas que o percorrem, as palavras emudecem porque não são partilhadas. Assim, o silêncio parece uma sinfonia muda...

    Admirável!

    Bjo, amigo Filipe :)

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  18. É aqui que minha alma encontra descanso como se dormisse em um
    colchão de palavras. A cada vez que te leio cresce a admiração.
    Um beijo de quem é fã.

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  19. Releio-te ao som de Bernardo Sassetti - Da Noite - Ao Silêncio
    http://youtu.be/0iewd3kBRIc

    Releio-te e cada palavra tua é nota de música que me preenche a alma.
    E na intermitência do silêncio, o tempo é o teu sorriso constante, mesmo quando o teu olhar é dor...sussurro-te e se não me escuta(re)s, grito: és poema, areia que escorre num relógio de sol...
    B
    e
    i
    j
    o

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