segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A Noite que à Noite se Sobrepõe






Um dia
              o dia será
                                Ausência


Por fim
o tempo cessará
                                           Infinitamente



Como noite que à noite se sobrepõe
A sombra à sombra se sobreporá

                                               Como uno momento
                                               Como definitiva forma
               


Infecundas são todas as negras primaveras
Assim como estéril é o corpo por fecundar

Inútil é o tempo consagrado à treva
Assim como toda a reza é ineficaz



Longos suspiros são mil murmúrios
Vagos abismos de inacessíveis altares



Na noite
              ausente será
                                       A memória


Sem fim
   a utopia cessará
                                           Definitivamente



Como voz sobre o vácuo vertida
Como verso de um poema vazio


.

8 comentários:

  1. Religiosamente
    o ritual se cumpre...
    Aleatoriamente
    em terreno a desbravar...
    Definitivamente
    em ciclos a renovar...

    O teu poema, (em) artistica(mente), sucumbe perante a constatação da efemeridade terrena, como se o sujeito poético assistisse a um desmoronar de crenças. Mas será do vazio, do nada que o ciclo se renovará...

    Uma fruição mental, ler-te!
    Bjo

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  2. Olá!
    Maravilhoso poema assim como no seu outro blog.Tuas palavras me encantam e fazem minha alma vibrar.
    Grande abraço
    se cuida

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  3. O tempo, esse breve instante. Suspenso entre o passado que se foi e, o futuro que projectamos indefinidamente...

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  4. Poeta
    Há no tempo uma esmagadora infínitude...uma avassaladora solidão...uma imensa nostalgia.
    Como sempre ler-te é entrar nos mais profundo da tua alma.
    Obrigada pelos parabéns, e gostaria de te ter conhecido...admiro-te.

    Um beijinho
    Sonhadora

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  5. A boca, muda, abouejando os desejos escondidos, nas noites vazias, para engravidarem poemas e vertigens...

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  6. e se a Terra está parada e o tempo não existe?

    ........assim poder-te-ei ler com atraso, como se chegasse sempre a tempo.:-))

    O poema? O poema és tu, intemporal.

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  7. Ainda em choque pelo que li no Waf...

    Enfim também não posso falar muito, mas sabe bem retornar aos sítios onde fomos felizes e reencontrar as caras amigas.
    Melhor, meu amigo, aqui te passo a visitar!

    O poema é simplesmente um dos teus mais belos, (ia proferir bem conseguido) mas isso seria um erro. Pois todos eles até agora têm sido bem conseguidos.

    Sempre gostei do teu cunho único no desmembrar de ideias, nas frases em suspenso, como neblinas sobre nós, na excelente melodia de frases que ficam cravadas em quem lê, como ferro em brasa:
    "Na noite
    ausente será
    A memória"

    Sempre muito bom.!

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